Executiva do PT aprova nome de Haddad como novo candidato à Presidência

Nathan Lopes

Do UOL, em Curitiba

A Executiva Nacional do PT aprovou, por unanimidade nesta terça-feira (11), o nome do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad como novo candidato do partido a presidente. A informação foi confirmada ao UOL por membros do grupo, que se reuniram em um hotel no centro de Curitiba. A posição da deputada estadual Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) como vice também foi aprovada pelo partido.

A votação é um trâmite burocrático, já que a decisão já havia sido tomada pelo candidato anterior, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele deixa a disputa em razão da decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de barrar sua candidatura em razão da Lei da Ficha Limpa.

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"Com certeza, nós vamos nos preparar para levar Haddad para o segundo turno e ganhar as eleições presidenciais", comentou o secretário nacional de mobilização do PT, Ivan Alex Lima. "É uma decisão histórica, é um dia histórico. É unanimidade na Executiva Nacional do PT o companheiro Fernando Haddad e Manuela na vice."

Nas redes sociais, petistas já têm usado as expressões "somos todos 13 de Lula" e "Lula é Haddad e Manu 13". A decisão oficial foi comunicada à militância no final da tarde de hoje.

Além dos membros da Executiva do PT, participaram da reunião a ex-presidente Dilma Rousseff, os governadores Fernando Pimentel (MG) e Wellington Dias (PI), entre outros nomes. Deles, Dilma foi a mais assertiva ao dizer que seria interessante esperar por alguma decisão do Supremo. O partido, porém, tem até as 19h de hoje para formalizar a troca junto ao TSE.

Após a reunião, Pimentel disse que o ex-presidente indicou Haddad como substituto. Para ele, a transferência de votos para o ex-prefeito já está acontecendo e tende a se intensificar. "Vamos ganhar a eleição, com a força do Lula, com a indicação dele. E com amplo apoio da população brasileira."

Nova vice, Manuela D'Ávila estava a caminho de Curitiba no começo da tarde. A presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, também se deslocou para a capital paranaense e participou de reuniões de seu partido. Aliado na coligação, o PCdoB também precisa comunicar ao TSE que haverá uma alteração na chapa.

A troca da candidatura precisa ser oficializada junto ao TSE. A partir disso, Haddad poderá se apresentar no horário eleitoral como candidato a presidente, e não a vice, como vinha fazendo.

Para decidir sobre a nova chapa, a Executiva do PCdoB se reuniu mais cedo em São Paulo. O outro partido da coligação, o Pros, também se reuniu para deliberar a respeito da nova formação. Os encontros dos partidos são necessários em razão da necessidade de uma ata que precisa ser entregue ao TSE para formalizar a troca.

O anúncio oficial será feito na tarde desta terça na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba, onde Lula cumpre sua pena em função do processo do tríplex.

Haddad tem 9% no Datafolha

Haddad visitou Lula na prisão na segunda (10) para acertar os detalhes do roteiro do anúncio. 

Mesmo ungido por Lula, Haddad nunca foi unanimidade entre lideranças do PT e continua desconhecido de boa parte do eleitorado. Se o ex-prefeito for confirmado hoje como candidato, serão postos à prova o poder de Lula como fator de união do PT e como cabo eleitoral.

Em pesquisa Datafolha divulgada ontem, Haddad teve 9% das intenções de voto, atrás de Jair Bolsonaro (PSL) e empatado tecnicamente com Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB). No Datafolha de 22 de agosto, último em que seu nome apareceu, Lula tinha 39% e liderava com folga.

Os recursos no STF

No momento, os advogados de Lula e de sua coligação têm três recursos no STF.

Em um deles, cujo relator é o ministro Edson Fachin, a defesa de Lula pede a revisão da decisão do magistrado em que negou um recurso anterior, no qual os advogados pediram o afastamento de qualquer impedimento à candidatura do petista.

O recurso tem como argumento um pedido do Comitê de Direitos Humanos da ONU para que o Estado brasileiro, com base em tratados internacionais assinados pelo Brasil, garanta os direitos de Lula como candidato até que o caso do tríplex, pelo qual ele foi condenado em segunda instância, passe por todas as instâncias da Justiça.

Em outro recurso, a coligação formada por PT, PCdoB e Pros busca ao menos ganhar tempo. Os partidos pedem que o prazo de substituição de Lula seja suspenso até que o recurso contra o veto à candidatura do ex-presidente seja analisado no STF, respeitado o limite do dia 17 de setembro -- prazo da lei eleitoral para a troca de candidatos. O pedido está com o ministro Celso de Mello.

No último recurso, cujo relator também é Celso de Mello, a coligação contesta a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que barrou a candidatura de Lula com base na Lei da Ficha Limpa no dia 31 de agosto, e pede urgência na análise do caso pelo STF.

Em todos os casos, Fachin e Celso de Mello podem tomar decisões sozinhos, remeter os recursos à Segunda Turma do STF ou mesmo levá-los ao plenário da Corte. No entanto, não há prazo para que eles tomem qualquer decisão.

Em nota, a defesa de Lula na esfera eleitoral diz que ainda aguarda uma decisão do STF e argumentou que não se poderia "admitir que as portas do processo eleitoral sejam fechadas a Lula sem que o STF fale". "Que o STF dê ao Brasil a chance de escolher seu caminho", traz a nota da defesa.

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