Operação Lava Jato

Moro afirma que suposto esquema de Beto Richa não era "crime trivial"

Da Agência Brasil*

  • Keiny Andrade-3.jun.2015/Folhapress

O juiz federal Sérgio Moro afirmou em despacho nesta terça-feira (11) que existem provas suficientes para justificar as buscas da Operação Piloto, 53ª fase da Lava Jato, na residência do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), e de seu irmão José Carlos Richa, o Pepe Richa. Para o magistrado, o suposto esquema de corrupção na gestão do tucano "não se trata de um crime trivial".

Richa foi alvo de um mandado de busca e apreensão na Lava Jato. A operação investiga o envolvimento de funcionários públicos e empresários com a empreiteira Odebrecht no favorecimento de licitação para obras na rodovia estadual PR-323, em 2014. A obra foi contratada por R$ 7,2 bilhões.

Também nesta manhã, o ex-governador foi preso em uma operação que investiga o pagamento de propina envolvendo um projeto do governo do estado para modernização e manutenção de estradas rurais. A mulher do tucano, Fernanda Richa, seu irmão Pepe Richa e seu ex-chefe de gabinete Deonlison Roldo também foram presos. A ação foi comandada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Estado.

Por meio de nota, a defesa de Richa disse não saber "qual a razão das ordens judiciais proferidas" e que a defesa ainda "não teve acesso à investigação". O PSDB não se manifestou sobre o assunto até o momento. O ex-governador já é réu em um processo referente ao período em que comandou a prefeitura de Curitiba.

Moro diz que envolvimento de Richa não é ocasional

Em relação à investigação feita pela Lava Jato, Moro explicou que o suposto esquema envolvendo Richa trata-se de "complexas operações de lavagem (de dinheiro) em esquema criminoso que transcende o produto do crime de corrupção em questão. O contexto não é de envolvimento ocasional em crimes de corrupção, mas da prática de crimes de grande corrupção e de complexas operações de lavagem de dinheiro", disse.

O juiz afirma no despacho que as investigações "apontam o pagamento de, pelo menos, R$ 3,5 milhões para direcionar licitação em favor do Grupo Odebrecht, com utilização de sofisticado sistema de ocultação e dissimulação do produto do crime, inclusive com utilização de contas secretas no exterior".

Segundo o magistrado, os valores envolvidos não podem ser relacionados à campanha eleitoral. "Não se trata, em princípio, de meras doações eleitorais não registradas, pois os pagamentos tiveram uma contrapartida, a atuação do chefe de gabinete do então governador para reduzir a concorrência da licitação para duplicação da PR-323 em benefício do Grupo Odebrecht", ressaltou Moro.

O juiz complementa que há provas para justificar as buscas realizadas nesta terça. "Ele é apontado como beneficiário dos valores provenientes dos crimes e de um esquema de lavagem de dinheiro. Ressalve-se, porém, que ainda se trata de uma fase de investigação, a busca nela se inserindo, e que, portanto, não é possível, no presente momento, qualquer afirmação conclusiva quanto à responsabilidade dele", apontou.

Na semana passada, o juiz federal Sergio Moro transformou em réus Roldo, Atherino e outras nove pessoas sob a acusação dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em uma investigação que apura a licitação da estrada. Richa não foi incluído na ação, mas o MPF disse que continuaria investigando o ex-governador.

Prisões pedidas na Lava Jato

No despacho, Moro determina ainda a prisão de Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete de Richa no governo do Paraná, e de Jorge Atherino, empresário acusado de ser um dos operadores do recebimento de propinas do ex-governador. Os dois foram detidos nesta terça-feira.

* Com informações do UOL

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