"Alckmin já mostrou que não é competitivo", afirma Meirelles

Janaina Garcia e Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

O candidato do MDB à Presidência, Henrique Meirelles, afirmou em sabatina realizada pelo UOL, "Folha de S.Paulo" e SBT, nesta quinta-feira (13), que seu adversário Geraldo Alckmin (PSDB) já teve a oportunidade de se candidatar, no passado, e não se mostrou competitivo. Meirelles afirmou que o candidato do centro nesta eleição é ele mesmo.

"O ex-governador Geraldo Alckmin já foi candidato a presidente [em 2006]. Já se apresentou. Já foi governador de São Paulo várias vezes. E está estagnado nas pesquisas. Então, já mostrou que não é competitivo. Já mostrou que as chances de ele entrar no segundo turno são baixíssimas ou nenhuma", afirmou Meirelles.

A estratégia de atacar Alckmin é ditada por Meirelles desde o debate na TV Gazeta, no domingo (9). Meirelles e Alckmin disputam votos no mesmo campo político, que engloba os eleitores de centro e de direita.

Durante a sabatina desta quinta-feira, Meirelles afirmou que, enquanto sua candidatura está crescendo, a de Alckmin está estagnada. "O verdadeiro candidato do centro para ganhar a eleição sou eu. Quem vai decidir isso, é o eleitor. E esse eleitor já está se decidindo por mim", disse.

Ele cita que, quando o eleitor conhece sua biografia, decide votar nele. "Costumo dizer que eu posso não ganhar o seu voto, mas vou ganhar o seu respeito. Isso que é o mais importante", afirmou.

Meirelles foi eleito deputado federal, em 2002, mas não assumiu o mandato para ser presidente do Banco Central (2003-2011), durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Também ocupou a cadeira de ministro da Fazenda (2016-2018) na gestão de Michel Temer (MDB).

A última pesquisa Ibope, divulgada nesta terça-feira (11), mostrou que Meirelles tem 3% das intenções de voto, empatado numericamente com Alvaro Dias (Podemos) e João Amoedo (Novo).

Forças Armadas, governo Temer e ataque a Bolsonaro

De forma indireta, Meirelles criticou a atuação das Forças Armadas na intervenção federal do Rio de Janeiro. "A função das Forças Armadas é fazer a defesa nacional, as fronteiras e ordem. A força armada não pode substituir a polícia. A polícia faz o seu trabalho, as forças armadas fazem o seu trabalho", disse.

A medida, defendida por Temer, de seu partido, foi criticada, com o mesmo argumento por opositores ao governo e por especialistas em segurança pública críticos e colocar nas ruas do Rio uma força que está treinada para outros tipos de violência.

Além disso, apesar de ter feito elogios ao ex-presidente Lula, Meirelles se esquivou de um elo com Temer. Indagado sobre a ausência de Temer tanto em sua campanha quanto em seus discursos, Meirelles não descartou que ele integre um eventual governo dele, mas evitou sair em defesa ou mesmo mencionar o nome do aliado.

Ainda no tema da segurança pública, o presidenciável novamente se solidarizou a seu adversário pelo PSL, Jair Bolsonaro, internado há uma semana devido a um ataque a faca durante agenda de campanha em Juiz de Fora (MG) na última quinta (6). Mesmo assim, fez questão de criticar a proposta de Bolsonaro de flexibilizar o porte de armas de fogo a civis.

"Temos de ser solidários, é um ser humano lutando pela vida", disse, sobre o estado de saúde do capitão reformado do Exército, submetido a nova cirurgia ontem à noite no hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde segue na UTI (Unidade de terapia Intensiva).

"Mas não podemos abandonar o pensamento e ficar só na emoção. Imagina se aquele desequilibrado que deu a facada tivesse um revólver na mão?", questionou. "A proposta de distribuir arma é um perigo e tem que se chamar atenção da população para isso", enfatizou.

Sabatinas do UOL, Folha e SBT

Nesta quarta-feira (12), estava agendada a sabatina com o candidato Cabo Daciolo (Patriota), mas foi cancelada por ele em razão de um retiro de 21 dias para "orações e jejum" pela "nação e Jair Bolsonaro".

Nesta terça-feira (11), Geraldo Alckmin (PSDB) respondeu aos questionamentos dos jornalistas. Ciro Gomes (PDT)Marina Silva (Rede)Guilherme Boulos (PSOL) e Alvaro Dias (Podemos) também já foram sabatinados.

De acordo com o que foi definido por sorteio, depois da sabatina com Meirelles, seria a vez da entrevista com Jair Bolsonaro (PSL), marcada para o dia 14 de setembro. Internado, Bolsonaro, não deve participar.

Foram convidados os candidatos dos partidos com representatividade no Congresso (com ao menos cinco parlamentares), conforme determina a legislação eleitoral.

Veja íntegra da sabatina UOL, Folha e SBT com Meirelles (MDB)

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