Queda em pesquisas liga sinal amarelo e campanha de Marina busca "marca"

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Raul Spinassé/Agência A Tarde/Folhapress

    Marina Silva em agenda de rua no bairro da Liberdade, em São Paulo, nesta segunda (10)

    Marina Silva em agenda de rua no bairro da Liberdade, em São Paulo, nesta segunda (10)

Após cair até cinco pontos percentuais nas últimas pesquisas de intenção de voto para a corrida à Presidência da República, a campanha da candidata Marina Silva (Rede) acendeu o sinal amarelo e agora busca imprimir uma "marca" própria perante o eleitorado.

A ideia é escolher uma proposta já defendida por Marina e cristalizá-la na população, fazendo com que o ponto focal abarque grande parte dos eleitores e que esses possam associar a candidata diretamente a ele, apurou o UOL.

De acordo com pessoas envolvidas na campanha ouvidas pela reportagem, é preciso ter um "SPC da Marina", em referência à principal promessa do adversário Ciro Gomes (PDT) que consiste em ajudar a limpar o nome de 63 milhões de brasileiros na lista de inadimplentes do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito).

"A Marina está cheia de propostas excelentes, mas são um pouco amplas demais e nenhuma está emplacando entre a população. Ela tem falado muita coisa, mas a mensagem não está ficando. Assim como o Ciro tem [a proposta do] SPC, o [Jair] Bolsonaro tem a questão da segurança pública e o [Fernando] Haddad tem o Lula com o discurso de geração de renda e emprego por trás, a Marina precisa ter uma marca para chamar de sua", relatou um interlocutor.

A campanha estuda quais pontos já presentes no programa de governo entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) podem ser melhor explorados. A tendência é que seja escolhida uma proposta da área social, como a prioridade à primeira infância, educação e saúde da família.

A intenção é ainda vincular a proposta à história pessoal de Marina, nascida em uma família pobre de seringueiros no Acre e vítima de cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose. 

Marina Silva/Divulgação
Retrato de Marina Silva na infância


"Nós já temos vários pontos fortes, como o desenvolvimento sustentável, a vontade de se fazer uma nova política, o fato de ela ser uma candidata extremamente democrática, de não defender uma economia estatista nem extremamente liberal. O que queremos agora é mostrar o conjunto da obra, ressaltar a história dela, mostrar as propostas para essa área social. Precisamos aprimorar o alcance da fala da Marina para mostrar para mais gente", disse outro aliado.

Há quem acredite que a candidata deveria ser mais contundente nas falas e mais simplista em discursos para que eles sejam melhor repercutidos na imprensa. A coordenação deve manter, no entanto, a proposta de se promover uma campanha propositiva, sem criticar diretamente os demais candidatos.

"A Marina não quer ganhar a todo custo e a base de ações que considera eleitoreiras", relatou o assessor.

"A fala da Marina é a fala correta, da união, contra os extremos. Sobre promessas populistas e irrealizáveis, ela não faz esse tipo de apelação. Não tem milagre. Trabalhamos sem as balas de prata que não fazem outro efeito a não ser enganar as pessoas. Ela acredita que está falando corretamente. Acreditamos em uma saída consistente, sustentável para a crise. Não em medidas milagrosas enganam o povo", disse outra pessoa responsável pela campanha.

Marina Silva/Divulgação
Marina Silva em cabina de votação na primeira vez em que concorreu à Presidência da República, em 2010

Mais mudanças na estratégia

As mudanças na estratégia de campanha não pararão por aí. Marina Silva deve se concentrar menos no eixo Rio - São Paulo - Brasília e se dedicar mais a agendas na rua. A avaliação da campanha é que a candidata está participando excessivamente de sabatinas – opção inicial para tentar compensar o pouco tempo de televisão – e deixando de viajar com aliados pelo país em um momento em que adversários promovem comícios e atos públicos.

É preciso levar em consideração que as imagens e as falas dos candidatos nas ruas veiculadas em programas jornalísticos de televisão têm sido a principal fonte de informação pelos eleitores, seguidos dos programas no horário eleitoral e notícias em portais de jornais ou revistas, mostrou o Datafolha desta segunda-feira (10).

Levantamento do UOL revela que Marina é quem mais tem participado de debates e sabatinas entre os cinco nomes mais bem colocados na disputa pelo Palácio do Planalto. Embora pesquisas mostrem a queda da força dela no Nordeste, Marina continuará no Sudeste e em Brasília essa semana devido a compromissos pré-marcados. O tour pelo Nordeste deve ser retomado na próxima segunda-feira (17) com idas a Teresina e Maceió.

Um fator que dificulta a candidata rodar o país são os recursos financeiros escassos. Ela voa somente em voo comercial comuns ou vans alugadas para economizar. Na tentativa de aumentar o montante da vaquinha online, o candidato a vice na chapa, Eduardo Jorge, passou parte da última terça em uma programação ao vivo no Facebook.

A ação faz parte da iniciativa da campanha em intensificar ações na internet e nas redes sociais. "Nossas estruturas e nossos recursos são o primo pobre nestas eleições. Vamos intensificar o chamamento à colaboração e a doações. [Não ter tanto dinheiro] não chega a atrapalhar, mas é um limitador", disse um coordenador.

Sinal amarelo após queda em pesquisas

Apesar de alguns já estarem em estudo, os ajustes serão feitos após quedas consideradas significativas de Marina nas pesquisas de intenção de voto, descontadas as margens de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Segundo levantamento Datafolha divulgado nesta segunda, ela passou de 16% em 22 de agosto para 11% na preferência dos entrevistados.


De acordo com pesquisa Ibope divulgada nesta terça (11), ela caiu de 12% entre 1º e 3 de setembro para 9% entre 8 e 9 deste mês. No mesmo período, seus principais concorrentes – Jair Bolsonaro (PSL), Ciro Gomes, Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) – cresceram ou caíram até um ponto percentual.

Embora seja do Norte e filha de pais nordestinos, Marina também vem perdendo espaço nas regiões para Haddad e Ciro. Segundo a pesquisa Datafolha de segunda, Marina tem a menor taxa de fidelidade de eleitores entre os cinco candidatos à Presidência mais bem colocados: 71% dos entrevistados que têm a intenção de votar nela podem mudar de ideia.

Nesta terça, Marina rebateu, dizendo que pesquisa é "o retrato de um momento" e que o voto "só é definido dia 7 de outubro", dia do primeiro turno. "Até lá vou andar em cada estado e cidade apresentando as minhas propostas", concluiu.

Um dos coordenadores da campanha afirmou não enxergar o resultado como uma perda, por haver um cenário de disputa acirrada pelo segundo lugar. Segundo ele, outros parâmetros também são utilizados para medir a popularidade da candidata, como o volume de receptividade em agenda nas ruas, a simpatia dos eleitores e o engajamento nas redes sociais.

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