Impulsionamento de post é o 10º maior gasto de candidatos; petistas lideram

Luís Adorno e Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    A petista Márcia Tiburi é candidata ao governo do Rio de Janeiro

    A petista Márcia Tiburi é candidata ao governo do Rio de Janeiro

O impulsionamento de posts por meio do Facebook é o 10º maior gasto das campanhas eleitorais, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ao todo, 670 candidatos investiram R$ 2,7 milhões na rede social para ajudar a disseminar seus conteúdos nas redes sociais.

A lista dos 10 maiores fornecedores das campanhas eleitorais reúne ainda empresas voltadas para a produção de filmes e conteúdo para propaganda eleitoral no rádio e na TV. Os dados foram coletados pela reportagem até 16h desta quinta-feira (13). Termina nesta quinta o prazo para que as candidaturas apresentem a primeira prestação de contas e, por isso, os dados ainda podem sofrer alterações.

Candidatos pelo Rio de Janeiro, os petistas Lindbergh Farias, que disputa a reeleição ao Senado, e Marcia Tiburi, candidata ao governo do estado, são os dois candidatos que mais investiram no impulsionamento de conteúdo por meio do Facebook. Cada um pagou R$ 130 mil para a rede social.

Em 15 de agosto, antes do início da campanha eleitoral, Lindbergh registrava 852 mil likes no Facebook. Nesta quinta, quase um mês depois, ele conta com 890 mil curtidas -- um acréscimo de 4,5%. Já Tiburi tinha 95 mil likes há um mês, e agora conta 108 mil curtidas, numa alta de 13,7%.

Está é a primeira eleição no país com leis que regulamentam a propaganda de candidatos nas redes sociais. Emmanuel Publio Dias, professor de marketing político da ESPM, afirma que a escolha pela internet como canal de propaganda política na sequência do rádio e da televisão é um caminho natural e viável para aqueles candidatos que não têm tempo de exibição nos programas eleitorais de TV.

Além disso, os candidatos "podem falar com o eleitor que não está interessado no processo eleitoral", indica Dias. "Se a pessoa não vai atrás da informação, a informação vai até a pessoa e repercute através dos internautas e influenciadores", diz o professor.

Para ele, Jair Bolsonaro (PSL) é um exemplo de ação de campanha bem trabalhada nas redes sociais. "No ano passado, quem mais investia era o Bolsonaro. Hoje, ele tem um exército orgânico. Criou-se redes e redes e redes a favor dele", afirma.

O Novo é o único partido que investiu no impulsionamento de conteúdo, sendo o terceiro no ranking de maiores contratantes do Facebook, segundo a Justiça Eleitoral. O partido gastou R$ 66 mil para ter seu conteúdo impulsionado em posts.

Das candidaturas à Presidência, segundo o TSE, a de Guilherme Boulos (PSOL) é a que mais investiu diretamente no Facebook: R$ 50 mil. É possível, entretanto, que outras candidaturas tenham promovido ações na rede social por meio de empresas terceirizadas. 

"Investir nas redes é lutar contra o sistema", diz Tiburi

Indagada pela reportagem sobre o motivo do alto investimento nas redes sociais, Márcia Tiburi afirmou, por meio de sua assessoria, que acredita nessas plataformas "como um importante e democrático instrumento de levar informação aos eleitores". Tiburi afirmou que as redes são o melhor caminho para "dialogar diretamente" com seus eleitores. "Nosso retorno é excelente, nossa mensagem chega às pessoas". 

A candidata também criticou a cobertura da imprensa como justificativa. "De forma orgânica, nossa militância se mobiliza, aguerrida, na defesa da democracia e dos ataques midiáticos que o Partido [dos Trabalhadores] sofre constantemente. Investir nas redes é lutar contra o sistema."

Já Lindbergh Farias afirmou que sempre fez uso das redes sociais como canal de comunicação. "Meu mandato sempre usou muito as redes e isso, naturalmente, foi intensificado na campanha. Achamos um meio de falar diretamente com o eleitor sem as distorções habituais da mídia que temos", disse por meio de sua assessoria. 

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