Rosane usa sobrenome, mas diz levantar bandeira de "luta contra Collor"

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Juan Esteves - 15.mar.1990/Folhapress

    Fernando Collor de Mello, ao lado de sua mulher, Rosane, durante cerimônia de posse

    Fernando Collor de Mello, ao lado de sua mulher, Rosane, durante cerimônia de posse

Separada há 13 anos do senador e candidato a governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo (PTC), Rosane Brandão Malta, 54, adotou o sobrenome do ex-marido para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa alagoana. Apesar de usar o "Collor" na campanha, Rosane afirma que luta contra "um ex-presidente, um senador" e levanta a bandeira em defesa das mulheres.

"Eu luto contra um ex-presidente, um senador e moro no mesmo estado. Então, a pressão contra minha pessoa é grande. Não nasci para perder, se eu for cruzar os braços vou me sentir covarde", afirma. Ela diz ainda representar mulheres que não conseguem "se reerguer" depois de um fim de relacionamento – a ex-primeira-dama enfrenta um divórcio litigioso desde que o casal se separou. Rosane cobra o cumprimento de uma decisão judicial que obriga o ex-marido a passar a casa que ela reside e outros dois apartamentos para seu nome.

Divulgação
Material de campanha de Rosane Malta usa sobrenome do ex-marido, Collor

Durante o período de lançamento de seu livro, em 2014, Rosane enfatizou o sobrenome Malta e corrigia quem a chamava de Rosane Collor. Agora, ela decidiu adorar o sobrenome do ex-marido porque observou que é "mais conhecida como Rosane Collor do que Rosane Malta." Em Maceió, existe inclusive um conjunto habitacional com o nome Rosane Collor.

"Antes de oficializar minha candidatura no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), fizemos pesquisas e os resultados me surpreenderam porque quando perguntavam se iriam votar na Rosane Malta, a maioria das pessoas desconhecia. Mas, quando indagadas se votariam na Rosane Collor, as pessoas sinalizavam que sim", explica a candidata. Ela destaca que se surpreendeu também com o desconhecimento das pessoas sobre o divórcio entre ela e o senador. "As pessoas acham que estamos juntos, que temos filhos e que sou avó. Às vezes eu explico, mas muitas vezes não dá, pela correria em uma caminhada política, por exemplo", diz.

Divulgação
Rosane Malta durante campanha em Alagoas

O sobrenome Collor está em evidência nestas eleições: Fernando Collor de Melo, Rosane Malta e o filho dele, Fernando James (PTC), concorrem a vagas no governo do estado, na Assembleia Legislativa de Alagoas e na Câmara, respectivamente. Entretanto, Rosane e Collor sobem em palanques diferentes e são oposição um ao outro. O partido a que ela está filiada é o PHS, que fechou aliança com o governador Renan Filho (MDB), que tenta a reeleição. Nas caminhadas da campanha para conquista do voto, Rosane aparece junto com Renan Filho.

Rosane foi filiada ao Partido Verde, e, em 2016, filiou-se ao PHS. Ela diz que há muitos anos recebe convites para candidatar-se a algum cargo político, mas sempre recusou para se dedicar à luta na Justiça para resolver o litígio matrimonial.

"Recebi um chamado do PHS e vi que se eu adiasse, mais uma vez [a candidatura], não ia concorrer a um cargo. A política faz parte da minha vida, sempre tive vontade de ser política, pois sou de família de políticos, fui casada com um político", afirma.

A candidata a deputada estadual afirma que sua campanha é voltada para mulheres, a exemplo do que enfrenta contra o ex-marido. Ela diz que pretende criar leis que ajudem a diminuir a desigualdade de gênero e ainda incentivar que mulheres não percam a esperança para lutar pelos seus direitos.

"Quero mostrar que, apesar de todos os problemas enfrentados, sou exemplo de perseverança e luta para mulheres. Desejo que nessa campanha, independentemente de partido, mais mulheres apareçam. Mulheres e homens com propostas contra corrupção e contra a compra de votos. Eu sou ficha limpa e nunca tive meu nome envolvido em nada, sou uma mulher honrada", destaca Rosane.

Além de concorrer a um cargo estadual, Rosane disse que ocupa seu tempo escrevendo. Ela está com o segundo livro quase pronto e deve lançá-lo ainda este ano.

Rosane tem feito corpo a corpo com eleitores nas ruas e diz ver indícios de compras de votos em troca de assistencialismo, cenário que ela critica.
"Quem votar em mim vai ser o voto consciente, pois não compro voto, não dou remédio, gasolina, nada a ninguém. Quero lutar pelas minorias, pelas mulheres quando eu estiver lá na assembleia. Explico ao eleitor que se ele vender o voto, não vai poder cobrar absolutamente nada. Meu eleitor é aquele que diz que 'vou votar porque ela é ousada, atrevida e não vai ter medo'".

O UOL entrou em contato com a assessoria de Collor para que ele se posicionasse sobre o não cumprimento da decisão judicial que determina que a casa que Rosane mora e dois apartamentos sejam colocados no nome dela e os advogados disseram que "não chegarem a um consenso sobre valores e  compensações financeiras que ornam a questão". "A matéria será submetida ao crivo do Poder Judiciário, a quem compete dirimir eventuais controvérsias", disse. 

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