Haddad critica Mourão e diz que voto a Bolsonaro pode mudar com "carinho"

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

Em comício na cidade de Florianópolis nesta terça-feira (18), o candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) criticou as declarações do candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), general Hamilton Mourão (PRTB), de que casas "onde não há pai e avô, mas, sim, mãe e avó" seriam uma "fábrica de desajustados" para o tráfico.

"Acusar uma mãe chefe de família, uma avó chefe de família pelo que acontece na criminalidade, isso é um absurdo", afirmou o candidato do PT. Haddad ainda prometeu que, em seu governo, mães e avós serão apoiadas por meio de políticas públicas e pela escola pública de qualidade.

Em seu discurso, Haddad também alfinetou Bolsonaro, ainda que sem mencionar o nome do candidato. "Chega de violência, chega de intolerância. Não vamos mais aceitar isso aqui no Brasil", disse o candidato, ao que a militância presente respondeu com gritos de "Ele não!", campanha que vem sendo divulgada na internet contra o deputado federal.

Haddad riu e respondeu: "Eu estou louco para chegar esse segundo turno para a gente ter um debate. Um debate sobre o Brasil, sobre a classe trabalhadora, as mulheres, os negros, sobre as mães e avós que educam seus filhos sozinhas".

As pesquisas de intenção de voto apontam que Bolsonaro lidera a corrida ao Planalto para o primeiro turno. Em um eventual segundo turno, no entanto, o candidato empataria tecnicamente com Haddad, Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB), perdendo apenas para Ciro Gomes (PDT). 

Lembrando que "temos aí 19 dias para a eleição", Haddad aconselhou a militância petista a "virar o voto" de eleitores de Bolsonaro com "carinho".

"Quando você vê um cara que está ali muito dilacerado, falando com o fígado, chama o cara para [tomar] um chope. Tenho certeza que resolve os problemas dele", disse, sugerindo que o incentivo ao "amor" é o que vai "unir o Brasil".

"Tenho certeza que você vai virar muito voto com carinho. Vamos trazer para perto, vamos abraçar. Esse cara vai se convencer de que o melhor projeto é o nosso para redimir as mazelas desse país", afirmou.

Ex-prefeito imita Lula em discurso

Em seu discurso, Haddad imitou a maneira de falar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi ovacionado pelos presentes, que mesclaram gritos de "Haddad! Haddad!" e "olê olê olê olá, Lula, Lula".

Haddad contou que estava com Lula na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba, onde o ex-presidente está preso, quando se esgotava o prazo dado pela Justiça Eleitoral para que o PT substituísse seu cabeça de chapa, na semana passada.

"Eu falei: 'Lula, eu estou aqui, está esgotado o prazo. O que você quer da gente?'", relatou Haddad, que continuou, dessa vez parodiando a voz de Lula: "Ele falou: 'companheiro Haddad, vai lá e ganha essa eleição para mim'".

Haddad repetiu, então, um discurso clássico do ex-presidente, de que a oposição "não gosta de gente". "Eles vão no aeroporto e não gostam de ver gente, vão no restaurante e não gostam de ver gente, vão na universidade e não gostam de ver gente. Tudo o que a gente quer é ver gente", disse.

Em seguida, engatou: "Eu acho que eles o problema deles é fisioterápico, e eu explico o porquê. Quando eles fizerem assim [fazendo o gesto de uma arma com as mãos], ensina eles a fazerem assim [fazendo o gesto de um L, de Lula, com a mão], que o Brasil tem jeito".

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