Ciro volta a associar Bolsonaro a Hitler e se compara a líder antinazista

Luciana Amaral*

Do UOL, em Belo Horizonte

Em campanha em Belo Horizonte na manhã deste sábado (22), o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, voltou a associar o adversário Jair Bolsonaro (PSL) ao ditador Adolf Hitler. O pedetista também propôs revogar o teto para gastos públicos, aprovado em 2016.

"Se eu achasse que pudesse me prejudicar [chamar Bolsonaro de nazista], provavelmente, não teria dito", afirmou. Ontem, Ciro havia chamado Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto, de "nazista filho da p*".

Segundo a última pesquisa Datafolha, Ciro é o candidato de 13% dos entrevistados - empatado, na margem de erro, com Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), em segundo lugar.

"O grande estadista do século 20, Winston Churchill, pagou o que estou pagando hoje, quando denunciava precocemente Hitler, nas preliminares do nazismo, que causou uma convulsão na humanidade e matou mais de 70 milhões de seres humanos pelo estigma do preconceito racial, contra gays e mulheres. Tudo o que está no discurso, na retórica e na prática do Bolsonaro e de seu grupo de SS [Schutzstaffel]", declarou.

A SS era a força de elite que cuidava da segurança de Hitler, mas depois expandiu suas atividades de perseguições a minorias e pessoas consideradas rebeldes ao nazismo. 

Ciro disse que o "pior membro" da "SS de Bolsonaro" é o candidato a vice-presidente na chapa, o general Hamilton Mourão. Ele também atacou o economista Paulo Guedes, que "está dando a instrumentalização econômica para esse fascismo".

"É preciso enfrentar como Churchill fez. Foi proscrito, foi chamado de bocão, de destemperado. Tudo o que estou sendo chamado hoje. Mas, hoje, é reconhecido como o maior estadista do século 20, que salvou sozinho a humanidade do flagelo do hitlerismo", acrescentou.

Luciana Amaral/UOL
22.set.2018 - Ciro Gomes (PDT) visita Aglomerado da Serra, maior favela de Belo Horizonte, em campanha presidencial

Armamento e gastos

Durante evento de campanha na comunidade Aglomerado da Serra, Ciro ampliou seu repertório de declarações polêmicas ao abordar a violência.

"O PCC [Primeiro Comando da Capital] usa a meninada do GDE [Guardiões do Estado, braço do PCC no Ceará], coloca a metralhadora na mão dele, um fuzil pesado, uma AR-15 e aquele menino que talvez o pau seja pequeno, acha que aquele fuzil pode ser o pau grande que ele não tem".

Acompanhado do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, o candidato chegou ao bairro sob gritos de "Cirão da Massa" por parte de militantes.

Antes da entrevista, Ciro ajudou a organizar a imprensa e militantes que queriam tirar fotos. "Botar ordem no país é mais difícil do que isso aqui", brincou.

Ciro também defendeu a revogação da Emenda Constitucional que limita os gastos do governo federal por 20 anos, prometendo mais verba para a saúde e maior tributação para bancos. 

Ao comentar a declaração de Haddad, o candidato do PT, que declarou na última sexta (21) ser amigo de Ciro, o pedetista reiterou a amizade de longa data. Mas ressaltou que a "vida os pôs em antagonismo grave nesse momento da política brasileira" e aproveitou para criticar Haddad:

"Eu lembro que, com todas as qualidades e virtudes de uma boa pessoa que o Haddad é, não inteirou dois anos ainda, ele acabou de perder as eleições à reeleição dele próprio em SP com meu apoio e do Lula. Isso não diz nada contra a dignidade dele, mas diz muita coisa... se uma pessoa que é prefeito e não tem nem 17% dos votos da sua reeleição, ele não foi bem avaliado pela sua população"

Caminhada em favela

A caminhada pelas ruas da maior favela de BH se deu sob um forte esquema de segurança, que incluiu a tropa de choque da Polícia Militar.

O UOL apurou que, até ontem, a presença de Ciro no Aglomerado da Serra era incerta, por dúvidas relacionadas à proteção ao candidato.

A Polícia Militar mineira havia detectado traficantes com armas pesadas e venda de drogas no trajeto previsto para Ciro, segundo informações obtidas pela reportagem. Para contornar a situação, foi preciso negociar com políticos locais - muitos dos quais ligados a outras coligações partidárias.

Após o compromisso em Belo Horizonte, Ciro Gomes segue para Salvador e, então, para Natal. No domingo, seguirá para Teresina, Timon (MA) e Recife (PE). O tour pelo Nordeste tem como objetivo barrar o avanço de Haddad na região e avançar para o segundo turno das eleições.

*Colaborou Mirthyani Bezerra, do UOL em São Paulo

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