Doria chama França de "Márcio Taxa", e bate-boca entre os dois marca debate

Do UOL, em São Paulo

  • Bruno Santos/Folhapress

    Candidatos durante o debate para governadores de São Paulo, na Record

    Candidatos durante o debate para governadores de São Paulo, na Record

O debate entre candidatos ao governo de São Paulo na tarde deste sábado (29) na TV Record foi marcado por confrontos e bate-boca entre o governador Marcio França (PSB) e João Doria (PSDB).

Depois de uma primeira rodada de perguntas entre os candidatos morna, na segunda rodada, ainda no primeiro bloco, Doria perguntou a França sobre a criação de impostos no âmbito fiscal estadual.

"Você declarou no programa Roda Viva, quando lá participou, que gostaria, e fez essa defesa com muita ênfase, de criar uma taxa para os moradores que estivessem próximos de estações do metrô e também das obras do metrô, as obras concluídas do metrô", afirmou Doria.

"Em uma outra entrevista, disse que gostaria também de oferecer a mesma taxa para as autoestradas, quem mora junto às novas autoestradas. Você agora é o Márcio Taxa?", perguntou o tucano.

"Eu vou cobrar a taxa, João, é de pessoas como você, que pegou uma rua pública lá em Campos de Jordão e adaptou para a sua propriedade", afirmou o governador, em referência a uma rua que o tucano anexou de maneira irregular em sua propriedade na cidade serrana paulista.

"Isso sim tem que cobrar taxa. (...) Precisa ter cara de pau para vir aqui fazer isso. Impressionante. ", respondeu França, que criticou de novo o ex-prefeito de São Paulo por ter abandonado o governo com pouco mais de um ano de gestão.

"Sabe, tudo o que o João fala parece tão marqueteiro, uma coisa tão falsa. Você fala para mim... a impressão que dá... Olha, você falou para mim 43 vezes, olhando na minha cara, assim: 'Márcio, eu prometo a você, eu prometo a você e a todo mundo, pela honra do meu pai, pela honra dos meus filhos, que eu ficarei na Prefeitura durante quatro anos e serei o melhor Prefeito de São Paulo'. Você falou isso. Se você não consegue cumprir nem com a honra das pessoas que você jura, João, você acha que alguma coisa que você fala eu confio? Alguma coisa?", atacou França. 

Ao longo da campanha, tem sido uma tônica de França apontar para o fato de Doria ter ficado menos de metade de seu mandato à frente da Prefeitura de São Paulo --assumiu em janeiro de 2017 e deixou o cargo em abril deste ano-- para candidatar-se ao governo.

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (28), Doria e Paulo Skaf (MDB) continuam tecnicamente empatados. O tucano oscilou negativamente de 26% para 25% e o emedebista ficou estável em 22%, em relação à pesquisa do dia 20. França passou de 11% para 14% das intenções de voto. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos porcentuais.

"Você brincou com a minha doença, brincou com a minha doença, brincou com a minha saúde, agora brinca com as coisas. Você não tem vergonha do povo de São Paulo não, João? Você não acha que sua vaidade e suas coisas têm que ter limite? Você não é o dono do mundo, não", disse o candidato do PSB. 

Doria respondeu em sua tréplica com críticas ao governador por abandonar seu segundo mandato frente à Prefeitura de São Vicente, no litoral sul de SP, para coordenar a campanha presidencial de Anthony Garotinho (então no PSB e hoje no PRP), em 2002. 

França interrompeu o tucano antes do final de seu tempo e começou um bate-boca. "Você vai falar de abandono, João? Você vai falar de abandono? Não é possível", afirmou França.

"Incrível. Ele vai falar de abandono. Ele saiu da Prefeitura com um ano, depois de prometer ficar quatro anos para todo mundo, três milhões de pessoas se frustraram, como eu, você traiu seu candidato a governador, queria a vaga do Alckmin para ser candidato, atrapalhou a campanha do Alckmin, fez tudo o que podia ser para ser presidente, depois que você não conseguiu ser candidato a presidente, você resolveu, então, como prêmio de consolação, ser governador de São Paulo", afirmou França, em referência às movimentações políticas do rival, que no início do ano chegou a ser cotado para assumir a candidatura presidencial tucana no lugar de Geraldo Alckmin

Mesmo fora dos confrontos diretos, França aproveita suas respostas e comentários em embates com outros candidatos para mandar indiretas a Doria.

"Não sai antes não, fiquei até o final. Cumpri meu mandato", disse o governador de SP em resposta a uma pergunta da candidata Professora Lisete (PSOL) sobre uma obra submarina na costa de Santos, litoral de São Paulo. 

Em outro momento, em resposta a uma pergunta de Marcelo Candido (PDT), declarou: "Ter experiência é bom né Marcelo, por que você não fica falando e fazendo besteira e vivendo só de marketing, fazendo marketing em cima de tudo", disse França.

"São Paulo não vai querer ninguém que não honra sua palavra, que não cumpre o que foi combinado", atacou o governador em busca de reeleição em seus comentários finais. Nas suas últimas considerações, Doria ignorou o rival.

Nos confrontos diretos, Skaf evitou França e Doria em suas perguntas, e também não foi perguntado por eles.

Manifestações da plateia 

Em diversos momentos, o mediador teve de pedir para a plateia não se manifestar --contra e favor de candidatos, ao menos oito vezes.

Em uma resposta de Doria a Luiz Marinho (PT) e depois na tréplica, o cronômetro teve de ser zerado pois o tempo de resposta foi invadido pelas vaias da plateia. Eles discutiam sobre uma pergunta de Marinho sobre o combate ao crime organizado. Na resposta, Doria citou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O candidato do PT pediu direito de resposta por conta da associação feita pelo tucano, que foi negado pela organização do evento.

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