Lewandowski diz que STF censurou um dos mais importantes jornais do país

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em São Paulo

  • Guilherme Mazieiro/UOL

    Toffoli e Lewandowski se encontram em evento na faculdade de Direito da USP

    Toffoli e Lewandowski se encontram em evento na faculdade de Direito da USP

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski disse, nesta segunda-feira (1º), que a mais alta corte jurídica do Brasil "censurou um dos mais importantes veículos de comunicação do país, impedindo que fizesse uma entrevista com um ex-presidente da República". Essa foi a primeira declaração pública do magistrado após o impasse sobre um pedido judicial feito pelo jornal "Folha de S.Paulo" para entrevistar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na prisão.

Lewandowski havia autorizado na sexta-feira (28) a colunista Mônica Bergamo, da Folha, a entrevistar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão. 

Poucas horas depois, entretanto, o ministro Luiz Fux, também do STF, suspendeu a decisão de Lewandowski e proibiu a entrevista. Fux ainda decidiu que, se a entrevista já tivesse sido realizada, sua divulgação estava censurada. Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde abril.

Durante palestra na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), da qual é professor, Lewandowski criticou o protagonismo do Supremo em pautas que entende ser de responsabilidade do Congresso Nacional julgar, como cotas, casamento homoafetivo, entre outras.

A última decisão que foi dada [pelo STF], que me parece..... enfim... vou deixar um termo mais impactante para senhores eventualmente classificarem... censurou um dos mais importantes veículos de comunicação do país, impedindo que ele, esse veículo, fizesse uma entrevista com um ex-presidente da República

Ricardo Lewandowski, ministro do STF

"São decisões que surpreendem por sua latitude, tanto do ponto de vista horizontal como do ponto de vista vertical", acrescentou.

Em conversa com jornalistas após a palestra, o ministro voltou atrás e negou que tivesse usado o termo censura. "A minha resposta será nos autos. Provocado, darei uma resposta nos autos. Não falei em censura. Vocês assistiram à minha palestra, está bem?", rebateu.

Mais cedo, o ex-aluno da universidade e atual presidente do Supremo, Dias Toffoli, discorreu sobre "a representação política e suas vicissitudes" e reforçou que não pautará temas polêmicos este ano.

Após a palestra do presidente da Corte, Toffoli e Lewadowski conversaram rapidamente pelos corredores da universidade e se recusaram a falar com a imprensa sobre o impasse com a entrevista de Lula.

Poucas horas depois do evento em São Paulo, o ministro do STF determinou cumprimento da sua decisão e decidiu que a "Folha de S.Paulo" pode entrevistar o ex-presidente.

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