'Disputa está embolada devido à barbárie de que fui vítima', diz Beto Richa

Vinicius Boreki, colaboração para o UOL

  • Vinicius Boreki/UOL

    O ex-governador Beto Richa vota no Colégio Amâncio Moro, no Jardim Social, bairro de classe nobre de Curitiba

    O ex-governador Beto Richa vota no Colégio Amâncio Moro, no Jardim Social, bairro de classe nobre de Curitiba

Empatado tecnicamente com outros três candidatos na disputa a uma das cadeiras ao Senado pelo Paraná, o ex-governador Beto Richa (PSDB) se mostrou confiante ao votar no Colégio Amâncio Moro, no Jardim Social, bairro de classe nobre de Curitiba. "Ainda estou no páreo", diz.

"A disputa está embolada devido à barbárie de que fui vítima. Havia uma distância confortável para a minha candidatura. Lamentavelmente, fui vítima de uma grande injustiça, uma das maiores já cometidas em período eleitoral na história do Paraná", afirmou Richa, após votar.

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Richa estava se referindo a sua prisão ocorrida no último dia 11 de setembro em operação do Ministério Público do Paraná e às investigações da Operação Lava Jato, que envolvem pessoas ligadas à sua gestão.

Mesmo aceitando o prejuízo eleitoral causado por isso, Richa disse estar tranquilo. "Não posso deixar de negar que houve um prejuízo eleitoral. A classe política é vista como uma espécie a ser exterminada. Estou animado, embora compreenda muitos eleitores depois dos fatos divulgados, mas estou no páreo", afirmou o ex-governador, que esteve acompanhado de sua esposa, Fernanda Richa, do filho, Marcelo Richa (PSDB), que concorre a deputado estadual, e de correligionários, por volta das 10h20.

Beto Richa está empatado tecnicamente com Oriovisto Guimarães (Podemos), Flávio Arns (Rede) e Alex Canziani (PTB), segundo pesquisa Ibope divulgada no sábado (6).

O cenário eleitoral que inicialmente parecia seguro para a eleição de dois ex-governadores -- além de Richa, Roberto Requião (MDB) estava bem posicionado -- foi totalmente transformado após a deflagração de investigações do MP-PR, do MPF e da PF. Segundo o Ibope, Requião tem 26% dos votos válidos, seguido por Oriovisto Guimarães (Podemos), 16%; Beto Richa (PSDB), com 14%; Flávio Arns (Rede), 14%; e Alex Canziani (PTB), 13%.

Prisão e investigações

Em setembro, durante a campanha eleitoral, Beto Richa foi alvo da operação Rádio Patrulha, deflagrada pelo MP-PR. O governador chegou a ser preso temporariamente, junto com sua esposa, Fernanda Richa, e outras 13 pessoas, mas foi solto após um habeas corpus expedido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF.

O ex-governador, ao lado de outras 11 pessoas, foi denunciado pelo MP, no último dia 25, por crimes como corrupção passiva e ativa e fraude a licitação. O ex-governador e os demais envolvidos são acusados de fraudar o Programa Patrulha do Campo, que visava recuperar estradas rurais do estado.

No mesmo dia em que Richa foi preso, pessoas próximas ao ex-governador, como o ex-chefe de gabinete Deonilson Roldo e o empresário Jorge Theodócio Atherino, apontado como operador financeiro de Richa, foram presos na Operação Integração I, a 53ª fase da Operação Lava Jato.

A investigação apura o pagamento de vantagens indevidas, em 2014, pelo departamento de propina da Odebrecht em favor de agentes públicos e privados do Paraná na licitação para a duplicação, manutenção e operação da PR-323.

No dia 26, o ex-governador viu a Lava Jato se aproximar de novas pessoas do seu círculo, na 55ª fase da Lava Jato, a Integração II. O irmão de Richa, o ex-secretário de Infraestrutura e Logística Pepe Richa, e seu primo, Luiz Abi Antoun, tiveram mandados de prisão expedidos, além de outras 16 pessoas.

Essa investigação visa identificar casos de corrupção ligadas à concessão e obras das rodovias federais do Paraná que integram o chamado Anel de Integração, além do pagamento de propinas e benefícios a servidores do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR) e da Agência Reguladora do Paraná (Agepar).

Sobre as investigações, Richa disse ter uma vida "ilibada" e não "teme nada". "Só espero que prevaleçam as orientações da Procuradoria-Geral da República e que qualquer denúncia venha acompanhada de provas", disse.

Impugnação

Além das investigações, a candidatura do ex-governador não foi deferida até o momento - ele é o único candidato ao Senado nesta situação. O Ministério Público Eleitoral reiterou à impugnação, em decisão na última quarta-feira (4). Sobre o fato, o ex-governador disse estar tranquilo. "Não vejo nenhum aspecto legal que possa dar guarida a esse pedido de impugnação", declarou.

A procuradora Eloisa Elena Machado alega três questões distintas: a condenação em segunda instância pela viagem que Richa fez a Paris, quando ainda era governador do estado, em 2015.

"O fato de o ex-governador do Estado do Paraná e de sua comitiva optarem por voos de custo desproporcionalmente superior a outros roteiros com o mesmo destino, bem como de se hospedarem em hotel de luxo localizado em Paris, às custas do Erário Público Estadual, e à revelia de qualquer evento oficial no território francês, demonstra, de forma absolutamente indene de dúvidas, a ocorrência de lesão ao Erário", afirmou na decisão. Com a confirmação da lesão ao estado, Richa deveria ser considerado inelegível.

Além disso, a procuradora acatou uma demanda da coligação de Roberto Requião (MDB), de que Richa não teria se descompatibilizado do governo do Paraná em abril, pelo fato de ter participado de eventos, como inaugurações e liberações de recursos. "O fato de o candidato aparecer, por reiteradas vezes, em eventos e cerimônias oficiais do Governo do Estado do Paraná, nos quais são entregues ou anunciadas benesses à população em geral, gera profundo desequilíbrio entre os candidatos ao mesmo cargo eletivo, o que é absolutamente intolerável à luz do princípio da máxima igualdade na disputa eleitoral".

Por fim, até mesmo a terceira impugnação se deve a uma suposta infidelidade à campanha de Cida Borghetti (PP). Como presidente do PSDB, Richa teria "autorizado que os principais Deputados e membros de seu grupo político participassem da campanha eleitoral de Carlos Roberto Massa Júnior (Ratinho Júnior)". Em entrevista coletiva realizada no último sábado (6), o TRE confirmou que o julgamento da candidatura de Richa vai acontecer após as eleições.

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