Malafaia ataca mídia, fala de eleição e culto distribui cola com Bolsonaro

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Hanrrikson de Andrade/UOL

    Pastor Silas Malafaia durante culto para homens no Rio

    Pastor Silas Malafaia durante culto para homens no Rio

Eleitor declarado do candidato Jair Bolsonaro (PSL), o pastor Silas Malafaia, uma das principais lideranças no cenário religioso, fez um culto para homens no sábado (6), véspera da votação do 1º turno, onde fez ataques à mídia --que, segundo ele, faz "ativismo político"-- e defendeu a participação cada vez mais ativa dos evangélicos nas decisões da sociedade.

"A igreja evangélica brasileira está intercedendo", disse o pastor, exaltando a força dos fiéis das igrejas no debate eleitoral e nos rumos da política. "Nós temos que estar na cultura, na política, na educação, nas artes, nas ciências, no Legislativo, no Executivo, no Judiciário. Nós temos uma arma poderosa que ninguém tem: o poder da oração."

Durante o culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na Penha, na zona norte carioca, o discurso de Malafaia sobre a eleição reverberava na multidão que o assistia. O público presente na celebração, intitulada "Conferência de Homens Vencedores", era praticamente todo masculino. O líder religioso não fez qualquer menção a Bolsonaro ou outro candidato, pois isso poderia configurar crime eleitoral (abuso de poder religioso).

Ao divulgar um evento que ocorrerá no templo na manhã deste domingo, um fiel gritou o nome de Bolsonaro à espera que o pastor fizesse algum tipo de comentário. Ele, porém, se esquivou: "Não, eu não entro nessa, não. Eu sou policiado. Tudo que 'yo fala'... Eu tenho que tomar muito cuidado com o que eu falo aqui. Porque não é brinquedo não".

Na saída do culto, o público era abordado por pessoas que distribuíam santinhos com os candidatos indicados por Malafaia. O material continha uma uma "cola" --papel que o eleitor leva à urna para não esquecer os números na votação. Eram sugeridos os pleiteantes a deputado Sóstenes e Samuel Malafaia, apadrinhados pelo pastor. No campo para presidente, constava o nome e o número de Bolsonaro.

Hanrrikson de Andrade/UOL
Momento em que Malafaia abençoou os envelopes do dízimo e da oferta dos fiéis

Malafaia tem sido uma voz ativa na campanha em favor de Bolsonaro --ele tem gravado e publicado vídeos nas redes sociais e, assim como outros evangélicos, chegou a visitar o presidenciável no hospital durante o período internado devido ao atentado sofrido em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro. Na última segunda (1º), o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record, declarou apoio ao concorrente do PSL.

O fator que aproxima os caciques das igrejas a Bolsonaro é a exaltação a valores conservadores e o posicionamento político em relação a temas como aborto, drogas, inclusão social e direitos de minorias. O candidato a presidente é conhecido por ser defensor ferrenho de assuntos que estão na pauta da bancada evangélica no Congresso.

No culto, Malafaia declarou, por exemplo, que "Deus fez macho e fêmea". "O resto é arranjo", completou. Na visão dele, questões relacionadas à sexualidade são "comportamento". "O ser humano foi feito para fumar? Não. Mas fuma. O ser humano foi feito para cheirar cocaína? Mas cheira. Foi feito para tomar da nº 1, a 51 [em referência a uma marca de cachaça]? Também não, mas faz. É a mesma coisa na sexualidade. Faz o que quer. Mas não venha aqui colocar na minha cabeça que o cara nasce para ser isso."

No fim da celebração, Malafaia fez uma oração inflamada e pediu que "o espírito do senhor abra os olhos do povo brasileiro". "Livra o povo de ser enganado, abre a mente do povo brasileiro. Coloque homens nos postos-chave dessa nação cheios de sabedoria, capacidade, inteligência. Íntegros e honestos. Deputados, senadores, governadores, presidente... Deus, estende a tua mão sobre essas autoridades. Traga o novo tempo para o Brasil."

Ataques à imprensa

Nas últimas semanas, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo tem divulgado em suas redes sociais vídeos com críticas ao trabalho da imprensa, que, segundo ele, não agiria com imparcialidade. No culto deste sábado, ele afirmou que "a mídia virou ativista político" e "deixou de dar a notícia".

Como exemplo, Malafaia citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Hoje, na América, há o menor índice de desemprego dos últimos 40 anos da história americana. E a mídia debocha de Donald Trump. Acredita nela! Acredita na mídia!", ironizou ele.

O pastor disse ainda que os veículos de comunicação estão "se lascando e quebrando a cara", pois "cada aparelhinho", em referência aos celulares dos fiéis, é "um jornal e uma emissora de televisão". "Acabou o monopólio da informação. E eles não estão entendendo isso. Acabou o monopólio."

Piada com filha solteira

A "Conferência Homens Vencedores" teve também a participação do pastor Nivaldo Nassif, que fez uma pregação mais informal e descontraída --como se fosse uma comédia stand-up de cunho religioso. Um dos momentos que levaram a gargalhadas foi uma brincadeira com o personagem bíblico Naamã, um general sírio bastante popular à época e descrito como um homem forte, valente e audaz. "Se fosse hoje, ele estaria nas redes sociais. E nem precisaria levar uma facada", disse ele, em referência ao ataque sofrido por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora.

Os fiéis também riram muito de um comentário feito por Nassif a respeito de sua filha caçula, de 30 anos e que, segundo ele, é "bonita para caramba". "De maneira que, se tiver alguém interessado, pode apresentar os currículos no final que a gente avalia. Muito importante no currículo: você não precisa dizer o quanto você estudou nem quanto você ganha. Diga se você é homem. Está bom. Nesses dias, já é bênção."

Bolsonaro faz aceno a gays

Enquanto Malafaia criticava os homossexuais, o presidenciável Bolsonaro prometeu governar para todos os brasileiros, inclusive para ateus e gays.

"Nós vamos fazer um governo para todos, independente de religião. Até quem é ateu. Nós temos quase por volta de 5% de ateus no Brasil, e vocês têm as mesmas necessidades que os demais têm", declarou o candidato em live no Facebook.

"Vivemos aqui do mundo material, aqui na terra, e para quem acredita na questão espiritual. Vamos fazer um governo para todo mundo. Para os gays, e inclusive tem gay que é pai, tem gay que é mãe. É um trabalho para todos vocês", acrescentou. A menção do presidenciável aos homossexuais visa desmentir acusações de que ele é homofóbico.

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