Irmã de Marielle diz ter sido xingada e ameaçada por eleitores de Bolsonaro

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook

    Anielle Franco, irmã de Marielle Franco, relata ofensa que sofreu de eleitores de Bolsonaro

    Anielle Franco, irmã de Marielle Franco, relata ofensa que sofreu de eleitores de Bolsonaro

Irmã da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada em março de 2018, Anielle Franco relatou em sua rede social que foi agredida verbalmente por "homens devidamente uniformizados com a camisa" de Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL.

Anielle escreveu em seu perfil no Facebook que, na tarde desta segunda-feira (8), andava em uma rua do Rio de Janeiro com Mariah, sua filha de dois anos, quando foi abordada pelos rapazes aos gritos de "Bolsonaro", "piranha" e "esquerda de merda".

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"Hoje, com minha filha de dois anos no colo, andando na rua, próximo a um shopping, sem nenhum adesivo, nenhum broche, nenhuma camisa, nenhuma bandeira (era só eu e Mariah, ela com roupa de creche e eu com roupa de trabalho) recebi gritos na minha cara - Repito: Gritos na minha cara - e consequentemente na dela (que ficou assustada claro) Gritos de que eu era "da esquerda de merda", "Sai daí, feminista" "Bolsonaro... Piranhaaa", de homens devidamente uniformizados com a camisa do tal candidato", escreveu Arielle.

Ao UOL, Anielle diz ter sido abordada por quatro homens eleitores do candidato do PSL: "Tentei me desviar, mas eles chegaram perto me chamando de 'piranha'  e gritando 'Bolsonaro!'. Minha filha se assustou, mas eu não iria responder a quatro homens com ela no colo. Dois deles usavam camisa e outros dois tinham adesivos [do candidato]".

A irmã de Marielle Franco admitiu no Facebook ter sentido medo da perseguição e que temeu pela própria vida: "Hoje eu tive medo! Medo mesmo. Não deveria, mas tive. Foi assustador. Ainda mais com minha filha no colo. Eu, sozinha, teria sido outra história (quem me conhece sabe)!".

Anielle esclareceu que não quer que sintam pena dela, mas relatou o episódio porque eleitores "antipetistas preferem propagar o ódio e a violência": "Seguimos na luta! Por aqui vai ter luta sim! Hoje e sempre. Na verdade sempre teve. Nossa luta vem de muito antes disso tudo. Essa luta não acaba dia 27. Nem hoje, nem ano que vem, nem muito menos em 2020. Ela vai muito além. Ela se intensifica. Ela vira pública. Ela ganha força, apoio e forma! É só pararem de nos matar!".

Ameaças de morte

Reprodução/Rede Social
Daniel Silveira (PSL) e Rodrigo Amorim (PSL) quebram placa em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL)
Anielle relata ao UOL outra abordagem de um eleitor do candidato do PSL na última sexta. "Saí para jantar e um rapaz passou umas três vezes no restaurante onde eu estava, na Barra da Tijuca. Quando reconheceu quem estava na mesa, gritou: 'Bolsonaro!'", recorda.

A irmã de Marielle conta ter sofrido ameaças de morte após reagir à quebra da placa em homenagem à vereadora: "Fiz uma postagem pública e pedi respeito. Choveram mensagens de ameaças. Mandei para o pessoal que cuida disso. Uma foi esdrúxula: 'Tem que amanhecer com a boca cheia de formiga'".

Há cinco dias, dois aliados de Bolsonaro quebrarem uma placa de rua em homenagem a Marielle Franco, colocada sobre a indicação da praça Floriano, nome oficial da Cinelândia, onde fica a Câmara dos Vereadores do Rio.

Os dois aliados, Daniel Silveira (PSL) e Rodrigo Amorim (PSL), se elegeram aos cargos de deputado federal e estadual, respectivamente. Amorim, aliás, foi o candidato mais votado do estado, com 140.666 votos.

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