Brasil elege menos de 4% dos candidatos com nomes religiosos ao Congresso

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Facebook

    Eleito, Pastor Sargento Isidório com a Bíblia ao lado do filho, João Isidório

    Eleito, Pastor Sargento Isidório com a Bíblia ao lado do filho, João Isidório

O Brasil elegeu 24 parlamentares ligados a cargos ou com nomes de urna religiosos na eleição do último domingo.

Esse número representa apenas 3,6% dos 666 candidatos a vagas na Câmara, no Senado e em Assembleias estaduais. O PSC (Partido Social Cristão), campeão em indicações, não elegeu nenhum de seus postulantes.

Para a contagem, foram considerados aqueles que se apresentaram à Justiça Eleitoral com a profissão de "sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa" e quem usou nome com alcunhas religiosas, como "padre", "pastor", "apóstolo", entre outros.

O número de eleitos, no entanto, deve ser ainda maior porque alguns concorrentes podem ter adotado nas urnas um nome em que a relação com a religião não esteja explícita e ter indicado outra profissão.

Entre os concorrentes, o maior destaque foi o Pastor Sargento Isidório (Avante), primeiro lugar para a Câmara Federal na Bahia com 323.264 votos.

Conhecido pelas declarações polêmicas, o militar mistura religião e política em seus discursos e ganhou o apelido de "Cabo Daciolo da Bahia".

Na campanha, tinha como principal tema segurança e propostas conservadoras. Aliado ao PT na Bahia, Isidório se recusou a colocar o número de Fernando Haddad, candidato à Presidência pelo partido, em seu santinho por "ter a questão do kit gay". Ele já disse em mais de uma ocasião que é "contra a prática do homossexualismo" --sufixo considerado ofensivo pela comunidade LGBT.

A Bahia elegeu ainda mais um pastor à Câmara, Abílio Santana (PHS), e outro para a Assembleia, o Pastor Tom (PATRI). Com Pernambuco, são os estados a ter mais parlamentares com títulos religiosos.

Pernambuco elegeu dois líderes evangélicos para a Câmara, Pastor Eurico (PATRI) e Bispo Ossésio (PRB), e outro para a Assembleia Legislativa, Pastor Cleiton Collins (PP), segundo mais votado no estado, com 106.384 votos.

Mais de 1/3 dos estados não elegeu religiosos

Ao todo, dez estados e o Distrito Federal não elegeram nenhum candidato diretamente ligado à religião. A maior surpresa ficou por conta do Rio de Janeiro. 

O estado em que a capital é governada por Marcelo Crivella (PRB), bispo da Igreja Universal, tinha o segundo maior número de candidatos com alcunha religiosa: 76 no total. Entre eles, o Pastor Everaldo (PSC), que acabou em oitavo lugar na disputa pelo Senado, com apenas 2,58% dos votos.

São Paulo, o estado com maior número de candidatos religiosos (78), elegeu apenas um: o Pastor Marco Feliciano (Podemos), da Catedral do Avivamento, décimo colocado para a Câmara Federal, com 239.784 votos.

Não houve senadores

Além de Everaldo pelo Rio de Janeiro, outros oito estados tiveram religiosos na disputa pelo Senado. Nenhum deles foi eleito. O músico Irmão Lázaro (PSC), da Igreja Batista da Bahia, e Fadi Faraj (PRP), da Comunidade Cristã Ministério da Fé no Distrito Federal, foram os que ficaram mais perto, em terceiro e quarto nas disputas estaduais, respectivamente.

Predominância evangélica

Dos 666 candidatos identificados pelo UOL, apenas 635 eram ligados à comunidade evangélica. Dos 24 eleitos, 21 são evangélicos e três da Igreja Católica (e petistas): Padre João (MG), Padre Pedro (SC) e Frei Anastácio (PB), deputado federal desde 1999.

Nenhum dos 110 candidatos (cerca de 16,5% do total) que escolheu a alcunha "irmã" ou "irmão" foi eleito. Entre os ganhadores, a maioria era "pastor", com 13 representantes, mais da metade dos escolhidos.

PSC não elegeu nenhum parlamentar

Outra surpresa ficou por conta do PSC. Partido de nome cristão tinha o maior número de candidatos religiosos (78), seguido pelo Patriota (44) e pelo PTC (38). No entanto, nenhum deles foi eleito. O campeão foi o PRB (Partido Republicano Brasileiro) com oito eleitos.

Veja a lista compilada de religiosos eleitos:

Deputados federais

Bispo Ossésio (PRB/PE)

Frei Anastácio (PT/PB)

Padre João (PT/MG)

Pastor Abílio Santana (PHS/BA) 

Pastor Eurico (PATRI/PE)

Pastor Gildemyr (PMN/MA)

Pastor Manuel Marcos (PRB/AC)

Pastor Marco Feliciano (PODE/SP)

Pastor Sargento Isidório (AVANTE/BA)

Deputados estaduais

Apóstolo Luiz Henrique (PATRI/CE)

Fábio Freitas (PRB/PA)

Felipe Estevão (PSL/SC)

Missionário Ricardo Arruda (PSL/PR)

Pastor Alex Silva (PRB/RO)

Pastor Cavalcante (PROS/MA) 

Pastor Cleiton Collins (PP/PE) 

Pastor Gessivaldo (PRB/PI)

Pastor Oliveira (PRB/AP)

Padre Pedro (PT/SC)

Pastor Tom (PATRI/BA)

Pastor Wagner Felipe (PR/AC)

Pr. Marcus Mansur (PSDB/ES)

Sergio Motta (PRB/SC)

Sergio Peres (PRB/RS)

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