"O PSDB caducou e envelheceu", afirma tucano Arthur Virgílio

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

  • Fátima Meira/Futura Press/Folhapress

    09.dez.2017- O ex-prefeito de SP, Doria, o então governador, Alckmin, o ex-presidente do PSDB, Alberto Goldman, o ex-presidente FHC e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio

    09.dez.2017- O ex-prefeito de SP, Doria, o então governador, Alckmin, o ex-presidente do PSDB, Alberto Goldman, o ex-presidente FHC e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio

"O PSDB caducou e envelheceu". Essa é uma das explicações para a derrota do partido nas eleições presidenciais e pela diminuição do seu tamanho na Câmara dos Deputados na avaliação de um de seus membros mais antigos: o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. Em breve entrevista ao UOL, o tucano disparou críticas a líderes correligionários como o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o ex-prefeito de São Paulo e candidato ao governo paulista, João Doria, e disse que não vai votar no segundo turno das eleições presidenciais. "Fernando Haddad e Jair Bolsonaro representam perigos à democracia", disse.

Os resultados das eleições deste ano não foram favoráveis ao PSDB. Pela primeira vez desde 2002, a legenda está fora do segundo turno das eleições presidenciais e ainda assistiu ao seu arquirrival, o PT, chegar à segunda etapa da disputa. 

Na Câmara dos Deputados, o partido viu sua bancada cair dramaticamente: de 54 deputados eleitos, em 2014, para 29, em 2018. No Senado, elegeu cinco senadores, mesma quantidade eleita em 2010. Nos governos estaduais, não elegeu nenhum candidato em primeiro turno, mas disputa seis segundos turnos, entre eles os de estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Artur Virgílio se colocou como voz dissidente dentro do PSDB e passou a questionar a liderança do presidente da legenda, Geraldo Alckmin. O prefeito de Manaus chegou a colocar seu nome à disposição do partido para disputar a Presidência da República.

Na sua avaliação, a principal razão por trás da derrota do PSDB nas urnas neste ano foi a "incompetência" do partido em se renovar. 

O PSDB caducou e envelheceu. Nós fomos incompetentes em não conseguirmos nos renovar e em não apresentar uma alternativa para a população. O resultado é essa polarização que estamos vendo e que resultou no segundo turno entre Haddad e Bolsonaro."

O tucano diz que uma das razões pelas quais o partido teve um resultado ruim nas urnas foi a dificuldade do partido em tratar questões éticas e suas disputas internas.

"O PSDB está cheio de problemas não resolvidos envolvendo filiados ilustres. Além disso, nós tínhamos um candidato que não era apenas presidente do partido, mas o dono. O Alckmin achou que as alianças formais, com os partidos do Centrão, iriam dar resultado nas urnas, mas não foi assim", afirmou Virgílio, sem mencionar a que "filiados ilustres" se refere.

Doria x Alckmin

Apesar de criticar Alckmin, Arthur Virgílio não quis se colocar ao lado de João Doria, que lidera nos bastidores um movimento para mudar o comando do partido.

Questionado sobre o desentendimento entre Doria e Alckmin na última terça-feira (9), durante uma reunião da direção nacional do partido, Virgílio criticou a postura de Doria ao longo da campanha ao governo de São Paulo, em que o ex-prefeito flertou com a campanha de Jair Bolsonaro, apesar de Alckmin, seu padrinho político, ainda estar na disputa pela Presidência.

Doria anunciou seu apoio ao candidato do PSL no segundo turno, logo após os resultados indicarem a derrota de Alckmin, o que foi visto por aliados como um gesto "indelicado". 

"Ele não foi correto com o Alckmin. Não achei que isso foi certo. Digamos que ele tenha sido um pouco leviano, como foram outros integrantes do partido que deixaram o Alckmin sozinho para apoiar o Bolsonaro", afirmou Virgílio.

"Haddad e Bolsonaro são perigos à democracia"

Em relação ao segundo turno das eleições presidenciais, Arthur Virgílio disse que não vai apoiar Bolsonaro ou Haddad. Na avaliação dele, os dois representam, por motivos diferentes, um risco para a política brasileira.

"Haddad e Bolsonaro representam perigos à democracia. O Fernando Haddad, pessoa física, não é perigoso. Mas o problema é que ele recebe ordens de um presidiário (o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva). O problema é o Lula, o PT, o José Dirceu", afirmou.

"Com o Bolsonaro, a situação é diferente. Eu não posso votar nele por tudo o que ele representa, todas as suas declarações, sobretudo no campo do comportamento. E ele tem um candidato a vice que é perigoso", acrescentou o tucano, referindo-se ao general da reserva Hamilton Mourão (PRTB).

"De um lado, você tem o Haddad, com o Dirceu falando que o PT não vai só vencer as eleições, mas vai tomar o poder. O que é isso? E de outro, temos o Bolsonaro, com o vice dele que já fala em uma nova Constituição, sem a participação do Parlamento. Minha família foi perseguida pela ditadura militar, e esse tipo de coisa me impede de votar no Bolsonaro."

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