FHC critica fala de Bolsonaro sobre pedir exílio ou prisão a opositores

Do UOL, em São Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) classificou nesta segunda-feira (22) como "inacreditável" a fala do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, que prometeu fazer uma "faxina" e banir os "marginais vermelhos" do país, em referência aos que apoiam seu adversário, Fernando Haddad (PT). O presidenciável afirmou no domingo (21) que os opositores terão que escolher entre ir "para fora" ou "para a cadeia".

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FHC, hoje presidente de honra do PSDB, afirmou que a atitude de Bolsonaro "lembra outros tempos", em uma referência à ditadura militar que durou duas décadas e matou e torturou opositores. As declarações do tucano foram dadas por meio de postagem no Twitter.

A declaração de Bolsonaro foi transmitida a manifestantes a favor de sua candidatura que estavam na avenida Paulista, em São Paulo, na tarde de domingo.

"Não tem preço as imagens que vejo agora da Paulista e de todo o meu querido Brasil. Perderam ontem, perderam em 2016 e vão perder a semana que vem de novo. Só que a faxina agora será muito mais ampla. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria", disse.

A postagem de Fernando Henrique Cardoso acontece no mesmo dia em que o candidato do PT, Fernando Haddad, diz ter telefonado para o tucano para debater o que chamou de escalada de ataques de seu adversário às instituições do país.

À Folha de S. Paulo, Haddad disse que o ex-presidente está muito preocupado com os rumos do Brasil e que, assim como ele, avalia que a democracia "está em jogo" na disputa presidencial deste ano. Nenhum pedido de apoio público foi firmado, segundo a Folha.

Desde o início do segundo turno, Haddad tenta atrair FHC para uma frente democrática contra a candidatura de Bolsonaro, mas não conseguiu o apoio explícito do tucano.

"Cheiram a fascismo", diz FHC sobre frases de filho de Bolsonaro

Ontem, o ex-presidente já havia criticado o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidenciável Jair Bolsonaro, após a divulgação de um vídeo, gravado em julho, mas que só veio à tona uma semana antes do segundo turno.

Nele, Eduardo responde a pergunta sobre uma hipotética possibilidade de ação do Exército em caso de o STF (Supremo Tribunal Federal) impedir que Bolsonaro assuma a Presidência. O deputado afirma que basta "um soldado e um cabo" para "fechar o STF".

"As declarações do deputado Eduardo Bolsonaro merecem repúdio dos democratas. Prega a ação direta, ameaça o STF [Supremo Tribunal Federal]", afirmou FHC. "Não apoio chicanas contra os vencedores, mas estas cruzaram a linha, cheiram a fascismo. Têm meu repúdio, como quaisquer outras, de qualquer partido, contra leis, a Constituição."

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