Joaquim Barbosa cita medo de Bolsonaro e declara voto em Haddad

Do UOL, em São Paulo

  • Renato Costa/Folhapress

    'Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo. Por isso, votarei em Fernando Haddad', escreveu Barbosa

    'Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo. Por isso, votarei em Fernando Haddad', escreveu Barbosa

Em uma publicação em seu perfil no Twitter neste sábado (27), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa declarou voto no candidato Fernando Haddad (PT) para a Presidência. Barbosa, que se filiou ao PSB, quase se candidatou para o cargo, mas desistiu em maio deste ano.

"Votar é fazer uma escolha racional. Eu, por exemplo, sopesei os aspectos positivos e os negativos dos dois candidatos que restam na disputa. Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo. Por isso, votarei em Fernando Haddad.", escreveu Barbosa.

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Até então, a última manifestação de Barbosa na rede social havia sido justamente negando sua participação no pleito presidencial deste ano. O partido do ex-ministro, PSB, já havia se posicionado em favor de Haddad no segundo turno dessas eleições.

Barbosa rebate Bolsonaro 

Horas após declarar seu apoio e também após reação de Jair Bolsonaro (dizendo que Barbosa apontava apenas Bolsonaro como o único não comprado pelo PT no mensalão; veja abaixo), Barbosa voltou ao Twitter e rebateu o pesselista: "Até a data de hoje eu ignorei completamente o uso do meu nome na campanha por um dos candidatos. Mudei de ideia porque hoje reiterou-se a manipulação". 

Nos tuítes seguintes, o ex-ministro escreveu: "A manipulação foi reiterada em resposta ao exercício, por mim, da liberdade de dizer em quem vou votar amanhã. Seguinte" e "desde 2014 jamais emiti opinião sobre a conhecida Ação Penal 470. Mudei de atividade profissional. Virei a página. Mas vou esclarecer às pessoas sem conhecimento técnico o seguinte: 1) a AP 470 envolvia sobretudo líderes e presidentes de partidos".

Na sequência: "Bolsonaro não era líder nem presidente de partido. Ele não fazia parte do processo do Mensalão. Só se julga quem é parte no processo. Portanto, eu jamais poderia tê-lo absolvido ou exonerado. Ou julgado. É falso, portanto, o que ele vem dizendo por aí".

Barbosa, que ocupou uma cadeira no Supremo entre 2003 e 2014, foi o primeiro presidente negro da história da Corte. Em 2006, assumiu a relatoria da Ação Penal 470, popularmente conhecida como "Mensalão", protagonizado por políticos do PT, PTB, MDB, PPS, entre outros. Barbosa votou pela aceitação da denúncia dos 38 réus no processo. 


O ex-ministro também foi relator do chamado "mensalão tucano", votando a favor da denúncia contra o ex-senador do PSDB Eduardo Azeredo. O ex-senador respondeu pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro durante a sua campanha de reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998.

Reação dos presidenciáveis

Jair Bolsonaro reagiu à publicação e afirmou, em seu Twitter, que "ele mesmo [Barbosa] disse que só Bolsonaro não foi comprado pelo PT no esquema de corrupção conhecido como Mensalão". No ano do "mensalão", Bolsonaro fazia parte do PTB de Roberto Jefferson, político que foi protagonista do escândalo. 

Na favela de Heliópolis, durante o último dia de campanha, Haddad afirmou: "O que o Joaquim Barbosa falou é o que todo mundo sabe e alguns têm medo de dizer. Infelizmente nem todo mundo tem a coragem de admitir o risco que ele realmente representa para o país".

O candidato do PT continuou: "É um apoio muito significativo. Ele tem uma representação muito forte e representa valores dos quais eu compartilho. Aguardei esse momento e estou celebrando esse apoio, que é muito representativo do risco que o Brasil está vivendo". 

Em seu perfil no Twitter, o petista publicou um texto agradecendo o posicionamento de Barbosa e outros nomes importantes da política brasileira. "Agradeço Joaquim Barbosa, Jarbas, Goldman, Marina e sobretudo os milhões de brasileiros que tem lutado para defender nossa democracia.", disse o ex-prefeito de São Paulo.

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