Lula recebeu resultado das eleições com tranquilidade, diz secretário do PT

Vinicius Boreki

Colaboração para o UOL, em Curitiba

  • Vinicius Boreki -28.out.2018/UOL

    Cerca de cem pessoas se reuniram na Vigília Lula Livre durante apuração das urnas

    Cerca de cem pessoas se reuniram na Vigília Lula Livre durante apuração das urnas

Na manhã seguinte à derrota de Fernando Haddad (PT) para Jair Bolsonaro (PSL) na corrida presidencial, o secretário nacional de finanças do PT, Emídio de Souza, e o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh se reuniram por cerca de 3 horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba.

Questionado ao deixar a PF sobre como Lula recebeu o resultado da eleição, Emídio afirma que foi "tranquilo". "Ninguém fica contente com um resultado desses. Mas normal, tranquilo. Em uma longa trajetória, já ganhamos e já perdemos", disse o secretário do PT e um dos principais conselheiros de Haddad. Ele disse ainda que a visita transcorreu normalmente, como tem acontecido tradicionalmente às segundas-feiras.

Durante conversa com o UOL na porta da PF, a assessoria de imprensa da Vigília Lula Livre pediu que a entrevista fosse interrompida. De acordo com Emídio, não há uma previsão para que Haddad, que está inscrito como advogado do ex-presidente, venha à PF para visitar Lula. Fontes próximas ao candidato derrotado afirmam, entretanto, que o encontro deve ocorrer nos próximos dias.

Haddad deseja sorte

Haddad desejou, nesta segunda-feira (29), sorte e sucesso ao presidente eleito. Essa foi sua primeira menção direta sobre Jair Bolsonaro após a vitória do adversário na corrida pelo Planalto, "Nosso país merece o melhor. Escrevo essa mensagem, hoje, de coração leve, com sinceridade, para que ela estimule o melhor de todos nós", escreveu em suas redes sociais nesta segunda-feira (29).

Bolsonaro foi eleito com cerca de 55% dos votos válidos, com o apoio de quase 58 milhões de eleitores. Seu adversário, Haddad, obteve pouco menos de 45%, com 47 milhões de votos.

Segundo membros do PT, Haddad não fez nenhuma ligação telefônica a Bolsonaro após a confirmação da vitória do candidato do PSL.

No domingo (28), em sua primeira declaração após a derrota, Haddad pediu respeito a seus cerca de 45 milhões de votos e afirmou que seus eleitores não precisam ter medo. "Nós estaremos aqui. Nós estamos juntos", disse. "Contem conosco. Coragem, a vida é feita de coragem. Viva o Brasil".

A palavra "coragem" foi dita em diversos momentos do discurso de Haddad, que durou pouco menos de nove minutos. Ele disse que aprendeu com seus antepassados "o valor da coragem para defender a Justiça a qualquer preço". "A coragem é um valor muito grande quando se vive em sociedade".

No discurso de domingo, Haddad não fez referência direta a Bolsonaro, mas disse que, durante a campanha, sentiu "angústia e medo nas expressões de muitas pessoas". "Daqui a quatro anos, nós teremos uma nova eleição. Nós temos que garantir as instituições. Nós não vamos sair das nossas profissões, dos nossos ofícios. Não vamos deixar de exercer a nossa cidadania", disse.

Haddad: 'não tenham medo, nós estaremos aqui'

PT na oposição ao governo Bolsonaro

Ainda no discurso pós-derrota, Haddad pediu respeito a seu eleitorado, que "diverge da maioria, tem um outro projeto de Brasil". Ele fez referência a reveses recentes do PT: o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e a prisão de Lula, momentos em que, segundo ele, "as instituições foram colocadas à prova a todo instante".

O candidato derrotado disse que, agora, sua missão é apoiar "a soberania nacional e a democracia como nós defendemos". "Nós temos uma nação, precisamos defendê-la daqueles que pretendem usurpar o nosso patrimônio". Haddad também fez referência à defesa dos direitos civis, políticos, trabalhistas e sociais, "que estão em jogo neste momento". "Portanto, nós temos uma tarefa enorme no país: defender os pensamentos, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam até aqui".

Ele disse que o partido tem a responsabilidade de fazer a oposição ao novo governo "colocando os interesses nacionais, de todos os brasileiros acima de tudo", apontado que não deverão ser aceitas provocações nem ameaças. "Lembrando o hino nacional: 'verás que um professor não foge à luta, nem teme quem adora a liberdade à própria morte", falou, sendo aplaudido pelos militantes.

Haddad não deixou de fazer críticas indiretas ao PT, dizendo que o partido deverá voltar para as bases. "Nós vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases", disse.

Análise: Dificilmente Haddad será a liderança da oposição

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