Partidos nanicos vão governar pela 1ª vez principais colégios eleitorais

Beatriz Montesanti

Do UOL, em São Paulo

  • Arte/UOL

    Romeu Zema (Novo), Wilson Witzel (PSC) e Wilson Lima (PSC), eleitos para os governos de MG, Rio e Amazonas

    Romeu Zema (Novo), Wilson Witzel (PSC) e Wilson Lima (PSC), eleitos para os governos de MG, Rio e Amazonas

Quatro partidos considerados nanicos elegeram governadores nestas eleições --dois deles, pela primeira vez. Nunca houve tantas pequenas legendas com esse desempenho desde a redemocratização.

Os pontos fora da curva foram Novo, PSC, PHS e PCdoB. Novo e PSC não apenas fazem seus primeiros governadores, como ainda chefiarão dois dos maiores colégios eleitorais: Minas e Rio de Janeiro, respectivamente.

O UOL considerou nanicos os partidos que não terão mais de nove deputados na Câmara Federal a partir de 2019 --um dos critérios para passar pela cláusula de barreira. No caso, o PCdoB terá exatamente nove nomes na Casa. Novo e PSC terão oito cada um, e o PHS, seis. 

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No caso, Novo e PSC passaram pela cláusula por outro critério: tiveram ao menos 1,5% dos votos válidos distribuídos em nove unidades da federação, com pelo menos 1% dos votos válidos em cada uma delas. Já o PHS deve ser barrado e ficar sem recursos do fundo partidário e tempo de propaganda no rádio e na TV. O PCdoB, por sua vez, aguarda a decisão da Justiça sobre uma candidatura barrada para poder ter mais votos contabilizados a seu favor.

Entre os nanicos, o Novo teve o desempenho mais surpreendente. Elegeu um governador, Romeu Zema, na primeira eleição disputada pela legenda, e o fez no segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais.

Enquanto isso, o PSC elegeu de uma vez dois nomes que são eles mesmos estreantes: Wilson Lima, no Amazonas, e Wilson Witzel, no Rio.

Lima desbancou dois governadores anteriores de seu estado para vencer as eleições. Jornalista, é conhecido por comandar um programa popular na emissora local TV A Crítica.

O juiz Witzel, por sua vez, era completo desconhecido no Rio e sem expressividade nas pesquisas de intenção de votos ao longo da campanha. Até declarar seu apoio a Bolsonaro e disparar na reta final, passando Romário (Podemos) e o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (DEM). O Rio é o estado com o terceiro maior eleitorado. 

No campo do PHS está Mauro Carlesse, reeleito governador de Tocantins. Carlesse era presidente da Assembleia Legislativa e assumiu interinamente o governo do estado após a cassação do então governador, Marcelo Miranda (MDB).

Também reeleito foi Flávio Dino (PCdoB), que em 2014 se tornou o primeiro comunista governador do país, ao vencer as eleições estaduais no Maranhão.

Antes nanico, PSL foi fenômeno à parte

Outro desempenho notável nas eleições deste ano foi o do PSL, partido do presidente eleito Jair Bolsonaro, que apenas elegeu governador uma vez antes na história, em 2002. Desta vez, na esteira do fenômeno presidencial, elegeu três: Coronel Marcos Rocha (Rondônia), Antonio Denarium (Roraima) e Comandante Moisés (Santa Catarina). 

O único outro pesselista a virar governador antes foi Flamarion Portela, em Roraima. Logo após ser eleito, no entanto, se filiou ao PT. Em 2004 ele foi cassado e expulso do partido. 

Em 2018, com 52 deputados, quatro senadores, três governadores e o presidente eleitos, o PSL passou de nanico para uma das principais forças políticas do país. 

Exceções anteriores

Foram raras as vezes em que nanicos chegaram a governar estados desde 1990.

Para além de Flávio Dino, houve um caso em 2010, quando o então recém-criado Pros assumiu o Ceará. Isso aconteceu porque Cid Gomes, na época governador do estado e filiado ao PSB, trocou de partido antes de se lançar à reeleição. Atualmente Cid Gomes, que já passou por seis legendas, é filiado ao PDT.

O Pros elegeu outro governador em 2014: José Melo, no Amazonas.

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