7 fatores que fizeram a Lava Jato ser o que ela é, segundo a força-tarefa

Nathan Lopes e Fabiana Maranhão*

Do UOL, em São Paulo

A Operação Lava Jato encerra seu terceiro ano de atividades com milhares de ordens judiciais, dezenas de etapas, centenas de condenações e aplicação de multas que, juntas, chegam ao valor de R$ 17 bilhões até o momento, como mostrou levantamento do UOL feito com a Receita Federal e o MPF (Ministério Público Federal).

Para o procurador regional da República Orlando Martello, integrante da força-tarefa da operação, alguns fatores foram importantes para que a Lava Jato pudesse existir da maneira como ela é. Ele elencou estes sete pontos para o UOL. Ainda assim, a operação também tem recebido críticas ao longo do tempo. Confira a lista abaixo:

Os sete pontos da Lava Jato

Theo Marques/Folhapress
Theo Marques/Folhapress

2

Parceria

"O trabalho conjunto e afinidade das equipes do MPF e da PF [Polícia Federal], bem como da Receita Federal, foram essenciais. Essas três equipes trabalham juntas há mais de uma década. Parte do grupo já tinha trabalhado no caso Banestado, de forma que já tínhamos um nível de conhecimento avançado nessa matéria. Já sabíamos os caminhos das pedras e das pedreiras intransponíveis" [Na foto, membros da Receita, do MPF e da PF em evento com o presidente da Petrobras, Pedro Parente (primeiro à esquerda)]
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Raniery Soares/Futura Press/Estadão Conteúdo
Raniery Soares/Futura Press/Estadão Conteúdo

4

Celeridade da Justiça

"O fato de ter um juiz federal [Sérgio Moro, foto] com enorme capacidade de trabalho, rápido, respeitado e com larga experiência em crimes foi outro fator. Tão importante quanto ter o caso distribuído para o juiz Moro, foi ter tido a sorte dele ter sido distribuído para uma turma de desembargadores federais igualmente experientes, sérios, respeitados e comprometidos com o trabalho. O papel do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para o sucesso do caso nem sempre é devidamente lembrado, mas ele foi tão essencial --e ainda é-- quanto o do juiz Moro. O mesmo pode ser dito em relação aos dois outros tribunais, o STJ [Superior Tribunal de Justiça] e o STF [Supremo Tribunal Federal]"
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Pedro Ladeira - 9.mar.2016/Folhapress
Pedro Ladeira - 9.mar.2016/Folhapress

5

Nova administração na Procuradoria-Geral da República

"A posse do procurador-geral da República Rodrigo Janot [foto],e seu apoio desde o início e a reestruturação interna do MPF promovida por ele permitiram que tivéssemos apoio de órgãos internos, em especial da Secretaria de Cooperação Jurídica Internacional. Outro diferencial foi ter envolvido, desde logo, os colegas de segunda e terceira instância. Houve, a partir daí, procuradores atuando nos três níveis de forma coordenada e com conhecimento total dos fatos. Fizeram um corpo a corpo perante os tribunais mostrando provas e esclarecendo fatos"
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Gege Gonçalves/Via WhatsApp
Gege Gonçalves/Via WhatsApp

6

Cooperação internacional

"Foi fundamental, ainda, a instauração de investigação própria pela Suíça para apurar os fatos. Essa investigação suíça foi extremamente importante para rastrear o dinheiro e contas no exterior. Não fosse isso, as investigações teriam se desenvolvido lentamente, talvez ainda estivéssemos na primeira camada de offshores. Cientes da importância dessa investigação no exterior, desde o início acompanhamos e auxiliamos com informações também as investigações alienígenas. Nesse aspecto, houve uma ajuda mútua e crucial para o sucesso" [na foto, protesto em Nova York de brasileiros a favor da Lava Jato]
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As críticas à Lava Jato

Rodrigo Félix Leal/Futura Press/Estadão Conteúdo
Rodrigo Félix Leal/Futura Press/Estadão Conteúdo

1

Exibicionismo e show midiático

Juristas questionam o "excesso de publicidade" do caso e o "exibicionismo" de figuras do Judiciário. Em setembro deste ano, o procurador da República Deltan Dallagnol (foto) foi alvo de críticas depois que apresentou slides nos quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparecia como "comandante máximo" do esquema investigado pela Lava Jato. Apesar disso, os procuradores não pediram sua prisão.
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Nelson Antoine/Estadão Conteúdo
Nelson Antoine/Estadão Conteúdo

2

Vazamentos seletivos

Uma crítica que tem sido feita à força-tarefa da Lava Jato é em relação a vazamentos de informações sobre as investigações, que foram classificados como "seletivos" pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso. Um dos episódios mais polêmicos ocorreu em março deste ano, quando o juiz Sérgio Moro derrubou o sigilo de grampos telefônicos de Lula. Uma das conversas divulgadas era entre ele e a então presidente Dilma Rousseff e tinha sido gravada horas antes.
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Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo
Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo

5

Violação a garantias constitucionais

Advogados que fazem a defesa de investigados pela Lava Jato criticam decisões que, segundo eles, violam garantias constitucionais de seus clientes. Em setembro, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (foto) foi preso em um hospital em São Paulo, onde acompanhava sua mulher, que seria submetida a uma cirurgia. No mesmo dia, Sergio Moro revogou sua prisão, que foi considerada "arbitrária" por correligionários de Mantega.
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