Corrupção, Lava Jato e Moro: o que levou as pessoas de volta às ruas em SP?

Ricardo Marchesan

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Milhares de pessoas foram à avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (4) protestar contra as mudanças no pacote de medidas anticorrupção, aprovadas pela Câmara dos Deputados, e demonstrar apoio à operação Lava Jato e ao juiz Sergio Moro.

Convocado pela internet por grupos como Vem Pra Rua e MBL (Movimento Brasil Livre), que atuaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff, o ato teve falas e cartazes contra o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desta vez, porém, os petistas ficaram em segundo plano.

Os principais alvos foram os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que, para muitos ali, encabeçaram as mudanças no projeto de lei anticorrupção. Críticas ao presidente Michel Temer (PMDB) foram mais pontuais, mas tiveram espaço entre os presentes

Veja o que pensam alguns dos manifestantes.

Ricardo Marchesan/UOL
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"Contra desmonte das dez medidas"

"Na calada da noite, se votou o desmonte das dez medidas contra a corrupção", afirmou o perito judicial Sérgio Neves da Rocha, 80, que foi ao protesto com a mulher, a aposentada Nilcea Neves da Rocha, 77. Apesar de dizerem ser contra outras medidas propostas pelo governo, como a PEC do teto de gastos, o casal disse que as principais demandas estavam no cartaz que carregavam: além da aprovação das 10 medidas anticorrupção originais, pediam a saída de Renan Calheiro, Rodrigo Maia e Michel Temer.
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"Farinha do mesmo saco"

Manifestações contra Temer foram pontuais. O técnico em eletrônica Paulo Sergio Correa, 58, carregava um cartaz em que se lia: "Temer: você é o próximo". Para ele, o presidente não tem legitimidade, mas, ainda assim, diz que não é a favor de sua saída neste momento, pela instabilidade que isso causaria. "Talvez não seja momento de sair, mas é farinha do mesmo saco", afirmou. Ele foi à manifestação com sua mulher, a gerente administrativa Maristela Kioko Toku, 45.
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"Deputados impunes"

Carregando um cartaz em apoio a Moro e "aos procuradores e aos ministros do Tribunal Federal", o comerciante Alex Omar Cabral, 61, disse que foi ao protesto porque "não tolera mais que os deputados estejam votando uma lei para ficarem impunes".
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"Contra cortes nos passes de idosos"

Outra manifestação pontual foi do aposentado Jacks Ferreira, 66, que carregava um cartaz endereçado ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e ao prefeito eleito da capital paulista, João Doria (PSDB), contra "corte dos passes de ônibus para idosos na cidade". Apesar de estar levantando a bandeira, Ferreira afirmou que o pedido era "secundário", sendo o principal a luta contra a corrupção e o apoio à Lava Jato.
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"Nem coxinha, nem mortadela"

Em frente ao Masp (Museu de arte de São Paulo), um grupo filiado à Rede Sustentabilidade carregava cartazes dizendo: "nem coxinhas, nem mortadelas", e a favor das medidas anticorrupção. Integrante do grupo, o músico Rogério Dias de Andrade, 52, afirmou que foram à ruas para "defender de maneira mais incisiva a aprovação das medidas originais contra a corrupção", e que a polarização da população "tem intenção de enfraquecer" as manifestações.
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Intervenção militar

Entre os cinco grupos que levaram carros de som à avenida Paulista, um defendia a intervenção militar como solução para a crise política. A psicóloga Renata El Achi, 56, a fisioterapeuta Ana Grael, 57, a arquiteta Leuce Magalhães, 65, a advogada Marilena D'Ottanino, 46, e o advogado Nelson Leite, 71, faziam parte desse grupo. As quatro mulheres dizem que estavam entre os manifestantes que invadiram a Câmara no mês passado para protestar pela intervenção. Elas negam que o ato tenha sido uma invasão porque, segundo elas, teriam avisado a Câmara antes, mas não tiveram resposta. "Pelos meios legais e jurídicos, nada está mudando", afirma Renata el Achi. "Estão perseguindo juízes. Existe um conluio para acabar com a Lava Jato", afirma D'Ottanino. Elas dizem que defendem a intervenção militar "para defesa da pátria, da lei e da ordem", porque "os três poderes não têm mais harmonia ou independência".

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