Solução espiritual ganha espaço dentro do Fórum Social Mundial em Belém

Rodrigo Bertolotto
Enviado Especial do UOL Notícias
Em Belém (PA)

Diversidade cultural e religiosa em Belém

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Marcius Rodrigues está no Fórum para evangelizar os "malucos"

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    Sacerdotisa aymará e freira participam de oferenda no Fórum

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    Membro de Pastoral da Juventude observa o teólogo Leonardo Boff

No Fórum Social Mundial, que começou nesta terça-feira (27) em Belém, no Pará, há quem acredite que a solução para o planeta passa pelo espírito, e não só pela política e o meio-ambiente. Várias denominações religiosas estão presentes nos debates do evento que reúne a esquerda mundial.

Essa diversidade resultou em cenas inusitadas como freiras dançando ao redor de oferendas de origem inca ou evangélicos tentando atrair os hippies do acampamento. Isso sem falar no oferecimento de Santo Daime para os participantes - após atendimento psicológico.

A ayahusca (o "vinho da alma" feito a partir de cipó e folhas da floresta) será distribuída de hoje a 1º de fevereiro, após se examinar se o interessado tem condições de se submeter à ingestão, que provoca transe e visões, mas também mal-estar físico.

A bebida do Fórum é produzida em Benevides, subúrbio de Belém. Haverá rituais seguindo as cerimônias do Santo Daime, que mistura catolicismo, espiritismo e crenças indígenas - o culto começou no Acre quando um homem branco provou a poção indígena.

Outra mistura está no camping armado na Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia). Um setor dele foi dominado pelos evangélicos, o camping João 3:16. "A gente veio trazer a palavra de Deus para os malucos porque aqui tem muito hippie doidão", explica Marcius Rodrigues, que lidera o setor.

Reggaes com letras gospel e almoços com os adeptos são oferecidos para evangelizar. Há shows de White Metal (metaleiros bíblicos) e até dos ritmos locais calipso e carimbó com mensagens de fé. "Isso chama a atenção, mas são nossas palestras que fazem o cara largar a vida sem Deus", afirma Rodrigues, que participou de todos os Fóruns na América do Sul.

Outro grupo chamado Doze Tribos trouxe um ônibus com a inscrição Nova Ordem Social e está pregando entre os instalados na universidade. Em seus panfletos, eles falam em "esquecimento global", que seria o homem esquecendo si próprio para preocupar com a fauna e a flora - mensagem que bate de frente com a temática do fórum de Belém.

Também presentes estão os hare krishnas, com suas danças e canções. Além das mensagens de paz, eles oferecem produtos, principalmente para o público vegetariano do local. "Nossos doces são tão bons que já acabaram", afirmou Goura, com a última cesta de chocolates feitos em São Paulo com os preceitos do movimento - o cozinheiro não pode provar.

A questão da fé cresceu tanto que foi criado o Fórum Mundial de Teologia e Libertação, congresso que aconteceu até domingo passado. A estrela desse encontro foi Leonardo Boff, que acrescentou outro ingrediente à discussão: ele mostrou que a agenda ecológica também faz parte da Teologia da Libertação, linha católica banida pelo atual papa Bento 16. "A ecologia significa uma nova relação dos seres humanos", disse o teólogo entre colegas dos cinco continentes e várias religiões.

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