Lula transfere seis milhões de hectares de terras da União para o Estado de Roraima

Yara Aquino
Da Agência Brasil
Em Brasília (DF)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou hoje (28) um decreto transferindo seis milhões de hectares de terras da União para o Estado de Roraima. O total corresponde acerca de 25% do território do Estado, de acordo com o governador José de Anchieta Júnior.

Governador nega acordo entre Estado e União para compensar perdas de terras na Raposa/Serra do Sol (RR)

Para tornar oficial a transferência dessas terras da União para Roraima, amanhã (29) será publicada no Diário Oficial da União uma medida provisória, que permitirá ao governo transferir terras da União para o Estado, o que não é permitido atualmente pela legislação, a não ser para fins de reforma agrária. Em seguida, o Incra fará um geo-referenciamento, ou seja, um estudo e mapeamento da área para definir que área pode ser ocupada por agricultura, qual por pecuária etc. Só então será feito um decreto com essas definições.

O governador negou que a transferência seja uma compensação pela questão da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. "São questões distintas, não há compensação nenhuma. A questão indígena está sendo resolvida no nível judicial, está no Supremo Tribunal Federal [STF]. Esse ato aqui é administrativo, e foi conduzido pelo governo federal e o governo do Estado".

Em discurso, durante a assinatura do decreto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tocou na questão da terra indígena e disse que o governo federal estava em dívida com o Estado de Roraima. "Nós estávamos em dívida com Roraima desde a celeuma de Raposa Serra Sol", reconheceu o presidente da República.

Lula disse ainda que espera que, em breve, o STF tome uma decisão final sobre a terra indígena. No próximo mês deverá ser retomado o julgamento da constitucionalidade da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, iniciado e interrompido duas vezes em 2008.

Segundo o governador José de Anchieta, as terras transferidas hoje podem ser uma opção para as pessoas que devem desocupar a terra indígena, inclusive aquelas que plantavam arroz na área da reserva, conhecidos como arrozeiros. "É uma opção para que as pessoas que saíram e sairão de Raposa Serra do Sol venham ocupar essas terras, como é o caso dos arrozeiros".

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