Em encontro de vereadores, Collor é assediado e citado como exemplo

Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília (DF)

O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) foi assediado pela maioria dos presentes durante palestra feita no Encontro Nacional de Vereadores nesta quarta-feira (9), em Brasília. Quase todos os políticos pediam fotos e autógrafos ao ex-presidente, o que fez Collor demorar mais de meia hora para conseguir sair da sala onde ocorria o evento após terminar sua apresentação.

"Eu, particularmente, acredito que o Collor é um exemplo", disse o vereador Valdir Fernandes (PSDB), de Quinta do Sol (PR). "Todo presidente tem problemas. E você supera eles, né?", justifica.

"Não quero ser exemplo para ninguém, só quero fazer aquilo que é correto", disse Collor em entrevista ao UOL após a palestra. "Os vereadores gostam de mim. É um pessoal muito amigo".

Alguns vereadores presentes não atuavam na vida política quando Collor foi eleito presidente, há quase vinte anos. "Eu era pequeno quando ele foi presidente, tinha uns dez anos. Na hora que o Collor aparecia na TV, meu avô vibrava", lembra Carlos Alberto (PSDC), vereador de Amparo (SP). "De acordo com o meu avô, ele só sofreu o impeachment porque não quis dividir o queijo".

Carlos lamentou não ter sido bem sucedido ao tentar tirar uma foto com o senador. "Tentei tirar, mas não ficou boa. Eu admiro o Collor pela coragem que ele teve", disse.

Divair (PR), vereador em São Gotardo (MG), teve mais sorte e foi fotografado ao lado de Collor. Ele diz não temer que a foto caia na mão da oposição na sua cidade. "Eu não vou fazer questão de esconder a foto, mas também não vou torná-la pública, né?", explicou.

Nem todos caíram na tietagem. "Deus me livre de tirar uma foto com o Collor", disse Danilo Segundo (PSB), vereador de Aracaju (SE). "Fui cara pintada quando era pequeno", recordou.

"Presidencialismo é uma carroça"
Em sua palestra, Collor defendeu a adoção do parlamentarismo no Brasil. Desde 2007, tramita no Senado uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de sua autoria sobre o tema. Ela diminuiria o poder do presidente da República e criaria o cargo de primeiro-ministro.

"O presidencialismo é a carroça do sistema político brasileiro. É um sistema político antigo, arcaico e obsoleto", disse ele.

A proposta de reforma política do governo federal apresentada no Congresso nesta semana foi elogiada pelo ex-presidente. Para Collor, ela precisa ser aprovada para depois haver uma discussão mais aprofundada sobre o parlamentarismo.

A reforma contempla pontos como a cláusula de barreira, que diminuiria o número de partidos no país, o voto em lista, em que o eleitor escolhe somente o partido de sua preferência em cargos proporcionais, e o financiamento público de campanha.

O parlamentarismo já foi negado pela população brasileira em dois plebiscitos. Um deles ocorreu em 1963 e o outro, em 1993. Segundo Collor, houve um aumento dos adeptos do parlamentarismo de um plebiscito para outro. "Isso mostra um amadurecimento da população", diz ele, afirmando que a tese parlamentarista poderia ser vitoriosa se ocorresse uma nova consulta popular.

Collor não quis comentar a sua possível indicação para a Comissão de Relações Exteriores do Senado.

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