Lula defende o fim da dependência do dólar para transações comerciais na América do Sul

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Ao receber o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, nesta terça-feira (17), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que os países da América do Sul acabem com a dependência do dólar para as transações comerciais.

LULA RECEBE PRESIDENTE DA COLÔMBIA EM BRASÍLIA

  • Sergio Lima/Folha Imagem

    Álvaro Uribe (esq.), presidente da Colômbia, conversa com Lula no Palácio do Planalto



Lula destacou que a balança comercial entre os dois países ainda é muito favorável ao Brasil e que é preciso mais equilíbrio neste sentido. E completou: "Por que a nossa balança comercial não é feita nas nossas moedas? Por que temos que comprar dólares para tratar das compras do Brasil e da Colômbia? Temos que sentar em torno de uma mesa e criar regras para não ficar dependente do dólar, que está cada vez mais escasso e problemático".

O presidente brasileiro afirmou que "reza" para Barack Obama colocar a economia norte-americana nos eixos. "Eu rezo para o Obama aquilo que não rezei pra mim. Sei a importância dos Estados Unidos para a América Latina e sei que, se os Estados Unidos se recuperam logo, vai ser melhor pra todo mundo. Rezo também para que a Europa se recupere. Para que aqueles homens que sabiam tudo sobre Brasil e América Latina, saibam um pouco também sobre eles", avaliou.

Mudança de comportamento
Para Lula, os países da região precisam "mudar de comportamento" e "tomar decisões por conta própria", sem a influência dos países desenvolvidos e organismos financeiros internacionais. Ele voltou a criticar a postura do passado, quando os Estados Unidos e organismos como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial buscavam ditar os rumos a serem tomados pelos presidentes das economias em desenvolvimento e dos países pobres.

"Vamos imaginar a crise dos anos 90. Naquela época, quantos palpites o FMI dava de como deveríamos fazer o ajuste fiscal, de como deveríamos conter os investimentos. O Banco Mundial, todo mundo se achava no direito de dizer o que nós tínhamos que fazer", lembrou.

"Eu aprendi na minha vida pessoal, que quando a gente mora num bairro e um vizinho tem um problema, temos todas as soluções para o vizinho. Mas quando o problema é na nossa casa, tudo fica mais difícil. Agora, estou vendo os países desenvolvidos sem soluções para seus problemas internos. Talvez porque a dor do calo agora seja no pé deles e não no nosso pé", comparou.

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