Lula volta a criticar protecionismo e diz que países devem buscar "denominador comum" para divergências

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou mais uma vez, nesta terça-feira (17), os países que adotam medidas protecionistas contra a crise econômica. Para ele, essa não é a solução e os países devem encontrar um "denominador comum" quando houver divergências. Como as que serão alvo de uma reunião entre ministros brasileiros e argentinos, na tarde desta terça, em Brasília.

LULA CRITICA PROTECIONISMO


No encontro serão debatidas as ações protecionistas que o governo do país vizinho vem adotando, ao atender a pressão do empresariado. Elas seriam responsáveis por uma queda de 51% nas exportações do Brasil para a Argentina, em janeiro deste ano, em relação ao mesmo período de 2008.

O governo brasileiro também tentou exigir uma licença prévia para a importação de produtos, medida que rendeu críticas ao Brasil por parte do governo argentino. Poucos dias depois, o Brasil suspendeu a exigência.

Para Lula, essas divergências devem ser resolvidas de forma amigável. "Prefiro uma reunião como a que vai acontecer hoje para resolver divergências, do que a forma simples de dentro do gabinete você tomar uma medida punitiva sobre o que quer que seja", afirmou.

"Se temos uma divergência com a Argentina, se amanhã tivermos com a Colômbia, a China ou quem quer que seja, devemos sentar à mesa e encontrar um denominador comum", completou.

O presidente disse que receberá a presidente argentina, Cristina Kirchner, em São Paulo, em abril, e fará uma visita ao país vizinho no mesmo mês. "A relação entre Brasil e Argentina é tão profunda e tão forte que não há divergência que não possa ser solucionada. É bom que a gente tenha divergência e melhor ainda que tenha competência para resolvê-la", ressaltou.

Reunião do G20
A posição contrária ao protecionismo será levada também para a reunião do G20, grupo das principais economias mundiais e dos principais países em desenvolvimento. O encontro será realizado no dia 2 de abril, em Londres, com a participação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

"Vou dizer que o protecionismo não ajuda, ele atrapalha. E, se qualquer país rico tentar defender o protecionismo, é bom lembrar que foram eles que criaram a doutrina e forjaram, na prática, o mundo globalizado e o livre comércio. Quando podiam entrar com seus produtos nos nossos países, era livre comércio. Na rodada Doha, quando queríamos dar oportunidade aos pobres, não era comércio livre. Nós queremos livre comércio e, sobretudo, comércio justo", ressaltou Lula.

A rodada de negociações para liberalização do comércio mundial, no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio), terminou sem entendimento entre os países. No entanto, Lula afirmou que o acordo deve ocorrer "mais dia ou menos dia".

"É bom a gente tomar as decisões corretas em Londres, para que o mundo volte à normalidade, o sistema financeiro internacional seja controlado e as pessoas não façam uma verdadeira jogatina irresponsável como foi feito nos últimos anos", finalizou o presidente.

A reunião desta terça, entre Brasil e Argentina, contará com a presença dos ministros das Relações Exteriores Celso Amorim e Jorge Taiana, o ministro Guido Mantega (Fazenda), o ministro da Economia da Argentina, Carlos Fernández, o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) e a ministra da Produção da Argentina, Débora Giorgi.

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