Lula diz que uso do protecionismo como solução contra a crise "pode gerar o caos"; presidente volta a incentivar o consumo

Diogo Pinheiro*
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizado às 14h55

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o uso do protecionismo como solução contra a crise financeira mundial. Em discurso a empresários na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o presidente afirmou que os líderes mundiais que se reunirão em Londres no dia 2 de abril (reunião do G20) "não têm o direito de aceitarem o protecionismo como solução para a crise".

"Protecionismo pode gerar o caos"


"O protecionismo, certamente, levará ao aprofundamento desta crise. Se os americanos se fecharem, se a Europa se fechar e se o Brasil se fechar, a crise ganhará uma dimensão muito maior e, ao invés da solução, poderemos ter o caos", disse Lula.

Para Lula, a crise financeira global "talvez seja a maior lição do século 21". Ele defendeu uma mudança na regulação das finanças internacionais e também um novo papel para o FMI (Fundo Monetário Internacional) e para os bancos centrais, dando um tom do que deve ser seu discurso na reunião do G20 daqui a um mês.

O discurso foi feito após encontro com o primeiro-ministro da Holanda, Jan Peter Balkenende, na sede da Fiesp. Diretores de empresas neerlandesas assistiram ao discurso.

Solução para a crise

Você é a favor ou contra ao protecionismo?



Ao primeiro-ministro da Holanda, Lula fez brincadeiras sobre futebol e pediu que Balkenende também reze para que Obama consiga tirar os Estados Unidos da crise. "O buraco lá [nos EUA] é muito grande", disse Lula.

O presidente voltou a afirmar que a economia brasileira é sólida, mas que o país ainda enfrenta problemas de crédito. Ele também voltou a incentivar o consumo. "Se a gente ficar com medo de comprar aquilo que é necessário, se o empresário não estiver a fazer um sacrifício para ganhar um tiquinho a menos, se os trabalhadores não estiverem dispostos a abrir um pouquinho e se o governo não estiver disposto a ceder naquilo que for necessário, nós poderemos ter a economia brasileira sofrendo prejuízos enormes."

Lula voltou a dizer que o país não deixará de investir em obras de infraestrutura.

"Cooperação internacional vai ajudar"
"O protecionismo não é o bom caminho", afirmou o primeiro-ministro Balkenende. "Por isso estou tão feliz e tão contente de vir acompanhado por 70 empresas holandesas que se esforçam para enfrentar essa crise. Essa cooperação internacional vai ajudar."

Desemprego e Embraer
A respeito do desemprego no país, Lula afirmou que sentiu o drama na pele - "como trabalhador e como líder sindical". "É importante que a gente não compare o desemprego no Brasil com outros países. Não temos uma crise generalizada no Brasil", disse o presidente.

Lula lembrou que houve crescimento positivo do emprego nos últimos anos no Brasil ao citar os três meses de números negativos. "Esta crise abre um leque de oportunidades que, em tempos de normalidade, tínhamos dificuldade em resolver".

Sobre as recentes demissões na Embraer, Lula afirmou que 90% das encomendas são feitas por países estrangeiros. "Como as encomendas foram suspensas, a empresa teve que demitir", disse. O presidente criticou as demissões, mas disse que agora é preciso resolver o problema da aviação regional do país.

"É um desafio pensar em como utilizar os aviões da Embraer, porque não podemos nos queixar dos países que cancelaram, porque o próprio Brasil não encomendou. Porque usa do Airbus e não da Embraer? Vamos discutir essa questão", completou.

* Com informações da Redação, em São Paulo

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