Jarbas reafirma críticas ao PMDB e diz que não aceita nenhuma comissão indicada pelo partido

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Em discurso nesta terça-feira (3) no plenário do Senado, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirmou que não ficou surpreso ao receber a informação que seria afastado da CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) por orientação do seu partido, ao qual ele fez fortes críticas e acusações de envolvimento com corrupção em uma entrevista à revista "Veja".
  • Lula Marques/Folha Imagem

    Em seu discurso, o senador Jarbas Vasconcelos (ao fundo, à esquerda) criticou o senador Renan Calheiros (em primeiro plano). Jarbas chamou a retaliação que recebeu do PMDB de "mesquinha"


Jarbas começou o discurso dizendo que declinava do convite feito pela liderança de seu partido a assumir qualquer outro cargo em uma comissão permanente do Senado. "Não aceito qualquer outra indicação do PMDB para colegiados nessa casa", afirmou. Durante sua fala, ele fez críticas à impunidade na política.

"Não foi com surpresa que o atual líder me afastou mais uma vez, sem sequer me comunicar oficialmente", disse Jarbas referindo-se ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do partido na Casa. Jarbas chamou a retaliação de "mesquinha", e lembrou que já havia sido afastado da CCJ em outubro de 2007, junto com o senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Nem mesmo na ditadura tive meus direitos cerceados."

Em reunião realizada hoje, a bancada do PMDB no Senado avalizou a decisão de Renan Calheiros de afastar Jarbas da CCJ, em represália às declarações do senador. Oficialmente, Renan sustenta que Jarbas será retirado da comissão porque não encaminhou ao partido o pedido para integrar a CCJ.

"Nenhuma vírgula" a mais
O senador disse que não acrescentaria mais "nenhuma vírgula" nas declarações feitas à revista "Veja". "Hoje, volto a acrescentar que não tenho vírgula a acrescentar". "Não sou mesquinho, nem pequeno. O que tinha que dizer já disse. Seria pequeno se acrescentasse mais coisas."

"Serei mesquinho e pequeno se acrescentar mais detalhes"

Jarbas não citou nomes de parlamentares que estariam envolvidos em casos de corrupção. "Não vou citar nome, reiterar acusações pessoais". O senador disse que existe a Polícia Federal, o Ministério Público e os tribunais que "exercem com eficiência essa prática". "Nunca tive, não tenho e nem desejo ter vocação para ser paladino da ética", completou o senador. Jarbas disse que não se arrepende das declarações que deu à revista e afirmou que o que fez foi "constatar o óbvio".

O senador disse que os nomes de políticos envolvidos em casos de corrupção "vêm à tona quase que diariamente". "Não preciso mencionar", disse. Vasconcelos afirmou que atingiu seu objetivo ao dar a entrevista, já que conseguiu chamar a atenção da sociedade para os problemas de corrupção. "Compactuar com corrupção não é pré-requisito para a carreira política", complementou.

"Volto a esta tribuna duas semanas depois da entrevista que concedi à 'Veja', na qual analisei o quadro político do Brasil. Nesse período, vi, li e ouvi as mais diversas análises sobre as minhas palavras. Levantaram teorias conspiratórias, tentaram me descredenciar. (...) Não temo esses investigadores, apesar de considerá-los credenciados para tal função, pois de crimes eles entendem", afirmou. "A esses arapongas digo apenas que enfrentei coisas piores quando, na década de 1970, denunciei torturas e violências praticadas pela ditadura militar."

O senador reservou parte de seu discurso também para comentar os problemas gerados pela disputa política em torno do controle do fundo de pensão de Furnas. Jarbas defendeu uma auditoria para investigar a aplicação dos recursos que compõem o fundo de pensão.

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