FHC desdenha suposto grampo, mas cobra punição

Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta segunda-feira (9) estar "pouco se ligando se foi grampeado", referindo-se às escutas ilegais supostamente feitas pelo delegado Protógenes Queiroz. O delegado conduziu a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, na qual foi preso o banqueiro Daniel Dantas.

Reportagem da revista "Veja" diz que Protógenes usou métodos ilegais para investigar diversas autoridades, entre elas os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o empresário Fábio Luiz da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Eu estou pouco me ligando se estou sendo grampeado. Ninguém pode ser grampeado sem que o juiz autorize. Se isso aconteceu, tem que ser punido", afirmou FHC antes de iniciar uma aula magna sobre a consolidação da democracia brasileira no início da noite no Instituto Brasiliense de Direito Público (IBDP).

Questionado se achava que estaria sendo investigado, Fernando Henrique sorriu e afirmou que "cabe ao governo punir os responsáveis se o grampo for ilegal, independentemente da posição política do grampeado". "Eu acho que são setores que o governo tem que coibir. Ou é um problema político gravíssimo, ou é uma desordem do governo, o que também é grave", concluiu.

Repercussão das denúncias
Depois da a reportagem da Veja, a PF pediu a quebra do sigilo telefônico de Protógenes para identificar chamadas e mensagens feitas e recebidas por Protógenes durante período de cinco meses, entre julho e novembro de 2008.

A PF deve divulgar, nos próximos dias, um relatório conclusivo sobre o processo que apura o desvio de conduta do delegado federal Protógenes Queiroz durante a Operação Satiagraha.

Líderes de partidos da base governista e da oposição vão se reunir nesta segunda-feira no Senado para discutir uma reação conjunta aos supostos abusos cometidos pelo delegado Protógenes Queiroz, na Operação Satiagraha da PF.

O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), vai pedir a prorrogação dos trabalhos da comissão por 60 dias para que os parlamentares tenham tempo de analisar os documentos sobre o inquérito da PF.

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