Câmara aprova prorrogação da CPI dos Grampos após denúncias contra Protógenes

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (10) a prorrogação da CPI das Escutas Telefônicas por mais 60 dias. A discussão sobre a comissão voltou à tona após reportagem da revista "Veja", que afirma que o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que conduziu a Operação Satiagraha, teria grampeado ilegalmente integrantes do governo. O pedido foi feito pelo relator Nelson Pellegrino (PT-BA) com base na reportagem.

Tarso diz que Protógenes pode ter cometido "graves irregularidades"

  • 16.fev.2009/EFE

    Em julho de 2008, Tarso havia afirmado que "Protógenes fez um trabalho brilhante de natureza técnica, independentemente de ter cometido equívoco ou não"



A prorrogação foi aprovada antes pela comissão. O relator afirmou que vai apresentar nesta quarta (11) um roteiro de trabalhos. Ele pretende ouvir o delegado que preside o inquérito, Amaro Vieira Ferreira, e deve propor uma reunião em São Paulo com o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que determinou a quebra do sigilo telefônico de Protógenes.

Pellegrino também pretende ouvir o juiz Fausto Martin De Sanctis, que conduz processo relativo à Satiagraha na 6ª Vara Federal de SP, e o próprio delegado Protógenes, com a possibilidade de acareá-lo com outras testemunhas.

Ao abrir a reunião da comissão, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), afirmou que Protógenes e os ex-diretores da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Paulo Lacerda e José Nilton Campana mentiram em seus depoimentos à comissão, mas não especificou em que momento. Segundo Itagiba, isso caracterizaria crime de falso testemunho.

Além disso, o deputado afirmou que recebeu partes dos autos do inquérito da Satiagraha, que ainda não foram concluídos, na última quinta-feira (5), mas negou que o vazamento à revista "Veja" tenha partido da CPI. As informações contidas na reportagem estão sob sigilo, e a defesa de Protógenes pede que sejam apuradas as condições em que o vazamento ocorreu.

"Se houver prova de que foi mentira, haverá indiciamentos", completou Pellegrino sobre supostas contradições encontradas nos depoimentos prestados por Protógenes.

Operação Satiagraha
A Operação Satiagraha, conduzida pelo delegado Protógenes Queiroz contra um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, foi deflagrada no dia 8 de julho de 2008 pela Polícia Federal. Foram presos o banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do Grupo Opportunity, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e outras 14 pessoas.

Nesta terça, ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que Protógenes pode ter cometido "graves irregularidades" durante o comando da operação ao comentar o conteúdo da reportagem. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota na qual se diz "irresignada" com as acusações contra Protógenes.

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