Jornal mineiro revela traumas de Marcos Valério com supostas agressões na prisão

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 16h54

Em reportagem publicada nesta terça-feira (10), o jornal "Hoje em Dia", de Belo Horizonte, afirma que o empresário mineiro Marcos Valério, que ficou conhecido após ser acusado de operar a máquina do mensalão, foi quatro vezes espancado por presos enquanto ficou detido na Penitenciária 2 de Tremembé (SP), entre outubro de 2008 e janeiro de 2009.

As informações foram obtidas pelo jornalista Carlos Lindenberg em duas conversas com o empresário, uma dentro do próprio carro de Valério, na última sexta-feira (6), e a outra ontem, no bairro do Savassi, em Belo Horizonte.

Segundo a reportagem do jornal mineiro, com o título "Marcos Valério se diz abandonado e perseguido", Valério perdeu os dentes da frente e terá que fazer um implante ósseo na boca por conta da violência sofrida na prisão.

O empresário também estaria com dois cortes à altura das costelas, frutos de golpes de estiletes, e um afundamento perto da coluna, causado por uma agressão com um pedaço de cano.

De acordo com o jornal, os presos o agrediram para tentar arrancar informações de um suposto DVD com 11 horas de gravações comprometedoras, cujo paradeiro, contudo, Valério diz não saber. Os espancamentos teriam ocorrido no terceiro, no quinto e no sétimo dos dez dias em que Valério ficou em regime especial de reclusão, junto com mais quatro acusados.

Enquanto seus colegas de cela, em regime semi-aberto, saíam para trabalhar, Valério permanecia na prisão. Os presos aproveitavam a situação e entravam na cela do empresário, que, nesses momentos, não estava trancada (a reportagem não esclarece por que ela permanecia aberta).

Ao jornal, Valério teria dito que pediu proteção ao PCC (Primeiro Comando da Capital) para se manter vivo dentro da penitenciária. Após deixar a cadeia, o empresário teria, inclusive, pago ao advogado da facção a quantia que garantiu a sua vida em Tremembé.

Ainda de acordo com a reportagem, Valério hoje leva uma vida bem mais simples em Belo Horizonte, se comparado a um passado recente, e estaria abalado com as agressões que sofreu na prisão. O empresário estaria recorrendo regularmente a uma psiquiatra.

A reportagem do UOL Notícias conversou por telefone com Claudionéia Veloso Santos, diretora da Penintenciária 2 de Tremembé. Questionada sobre as supostas agressões à Valério, a diretora disse que não gostaria de se manifestar sobre o assunto.

Já a assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou que Valério não oficializou qualquer denúncia de agressão no período em que esteve preso. De acordo com a assessoria, o empresário recebeu visitas de sua esposa e da juíza corregedora de Taubaté, Sueli Zeraik de Menezes, em sua própria cela.

A assessoria disse ainda que a Penitenciária 2 de Tremembé "é uma unidade prisional que destina-se, por decisão da SAP, a custodiar presos que, independentemente do grau de periculosidade ou do crime cometido, não podem conviver com outros presos, às vezes por funções que ocupavam quando em liberdade, outras por casos de crimes de clamor público, geralmente de grande repercussão na mídia."

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