Em SP, Protógenes elogia Supremo e chama Daniel Dantas de "banqueiro bandido"

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo

(Atualizada às 17h53 de 16 de março)

Protógenes terá de depor novamente na CPI

  • Rosanne

    O plenário da Câmara dos Deputados aprovou em 10 de março a prorrogação da CPI das Escutas Telefônicas por mais 60 dias. A discussão sobre a comissão voltou à tona após reportagem da revista "Veja", que afirma que Protógenes Queiroz (f), que conduziu a Operação Satiagraha, teria grampeado ilegalmente integrantes do governo

O delegado Protógenes Queiroz, investigado por vazamento de informações da operação Satiagraha, defendeu na manhã deste domingo (15), durante palestra em São Paulo, punição a Daniel Dantas, sócio-fundador do Banco Opportunity, a quem chamou de "banqueiro bandido", e reafirmou a legalidade de suas ações frente à PF, elogiando entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em ações policiais.

Delegado da Polícia Federal que comandou a operação Satiagraha, na qual foram presos Daniel Dantas, o mega-investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta em julho de 2008, Protógenes foi convocado a prestar depoimento novamente à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Escutas Clandestinas da Câmara dos Deputados, prorrogada por mais 60 dias, no próximo dia 1º de abril, e prometeu que responderá a todas as perguntas dos parlamentares.

Você acredita nas suspeitas contra Protógenes?



"Vou falar tudo aquilo que me for confrontado", disse Protógenes. "Já me predispus a ir à CPI e entendo que os parlamentares exercem neste momento histórico uma atividade importante para a democracia. Há muitos interesses públicos neste caso e eu não sou portador do interesse privado. Sou servidor público, portador de segredos, e vou exercer meu dever de esclarecer esse caso do banqueiro bandido Daniel Dantas e tudo o que se passou nestes quatro anos."

Protógenes refere-se ao período de investigações da Satiagraha, questionados por supostos excessos e que levaram ao seu afastamento do comando da operação. Reportagem da revista "Veja" o acusa de grampear integrantes do governo ilegalmente por meio de uma "máquina ilegal de espionagem". Além disso, Protógenes é investigado por uso de arapongas da Abin irregularmente -suspeita que culminou também no afastamento do então diretor-geral da agência, Paulo Lacerda.

Operação colocada em xeque
À CPI dos Grampos, Protógenes havia afirmado que poucos agentes participaram da ação, de forma não institucional. Neste domingo, citou decisão do ministro Menezes Direito, do Supremo Tribunal Federal, que considerou legal o acesso de agentes da Abin a dados de outros órgãos, inclusive da Polícia Federal. O ministro não abordou especificamente o caso Satiagraha, mas seu entendimento, segundo reportagem publicada pela "Folha de S.Paulo", também pode vir a ser aplicado ao caso. Nesta segunda (16), o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, desmentiu a reportagem, afirmando que não houve tal decisão.

"Foi tudo pautado dentro da lei", disse Protógenes sobre sua condução. "O Supremo acabou de decidir a legalidade da ação da Abin em atividades da Polícia Federal. As decisões do Supremo são respeitadas, portanto, isso traz um cunho de legalidade a essa ação policial, e poder para revelar ao Brasil os meandros desse submundo", completou.

MST nas terras de Daniel Dantas

É dever do povo brasileiro invadir terra de banqueiro bandido. E, no dia 1º, eu vou dizer em que condições foram obtidas essas terras

Declaração de Protógenes Queiroz, em São Paulo
Protógenes afirmou ainda que uma inversão de valores está ocorrendo no país. "Os grandes poderosos estão tentando criar confusão. Investigadores passaram a ser investigados. Temos que rever esse estado de coisas e garantir punição daqueles que saquearam o nosso país e não julgar servidor público que cumpriu o seu dever. Hoje o povo sabe o que é certo e o que é errado", finalizou.

Convidado em seminário sobre segurança pública organizado pelo Movimento Terra, Trabalho e Liberdade, Protógenes também defendeu invasão recente de 200 famílias ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) a uma das fazendas de Daniel Dantas em Eldorado dos Carajás, sudeste paraense.

"É dever do povo brasileiro invadir terra de banqueiro bandido. E, no dia 1º, eu vou dizer em que condições foram obtidas essas terras", afirmou o delegado, que em seguida ressalvou: "Não estou fazendo apologia criminosa, mas eu vou revelar em que condições elas foram adquiridas".

Justiça norte-americana desbloqueia bens do Grupo Opportunity

  • Folha Imagem

    O bloqueio havia sido determinado a pedido da Justiça brasileira e do delegado da Polícia Federal Ricardo Saadi, responsável pela investigação da Operação Satiagraha, na qual foi preso o banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do Grupo Opportunity (f)

De Sanctis x Gilmar Mendes
Protógenes, por outro lado, voltou a criticar dois habeas corpus concedidos a Daniel Dantas pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, ambos contra ordens de prisão decretadas pelo juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis.

"O banqueiro bandido foi socorrido com dois habeas corpus. Ele já está condenado em uma sentença bem completa, sob o ponto de vista técnico. E não está cumprindo a pena", criticou.

Ao final de um discurso inflamado a uma plateia de cerca de 70 pessoas, Protógenes foi aplaudido em pé no auditório da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), na Praça da República. E saiu do seminário sem falar com a imprensa. "Vocês saberão de tudo na CPI", despediu-se.

Entenda a Satiagraha
As investigações tiveram início quatro anos antes das prisões dos acusados como desdobramento do caso do mensalão, a partir de documentos enviados à Procuradoria da República de São Paulo pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Com base nelas, um processo foi aberto na 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, de onde partiram as ordens de prisão do juiz Fausto Martin De Sanctis.

Segundo a PF, havia duas organizações, uma comandada por Dantas e outra, ligada à lavagem de dinheiro, por Naji Nahas, que teriam cometido crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

A suposta ligação de Dantas e Nahas foi descoberta após a investigação baseada no banqueiro, que, por meio do Opportunity, era o gestor da Brasil Telecom, dona da Telemig e da Amazonia Telecom -estas seriam as principais fontes de recursos do mensalão. A PF chegou à conclusão após quebra de sigilo do computador central do banco.

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