Sarney anuncia reforma administrativa no Senado, mas proposta não tem prazo nem valor

Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), assinou nesta quarta-feira (18) um contrato com a FGV (Fundação Getulio Vargas) para fazer uma reestruturação administrativa na Casa. A fundação deve diminuir a quantidade de diretores da instituição em cerca de 50% - de 136 para 68.

Entre os nove projetos a serem implementados pelo convênio estão a criação de indicadores de desempenho e de avaliação de funcionários, processos e setores. Além disso, também deve haver a reestruturação de diversas áreas do Senado, implantação de programas de treinamento e gestão de recursos humanos, e a possível redução de custos em diversos sistemas informatizados da Casa.

Sarney anuncia reforma administrativa no Senado, mas não fala em prazo

O "Contrato de Intenções" entre o Senado e a fundação não estabelece um valor para os serviços. Segundo Sarney, a FGV deve cobrar "o que for necessário". O presidente também afirma que a FGV é uma instituição isenta, por não possuir fins lucrativos. Não há um prazo estabelecido para o fim dos trabalhos.

Ontem foi anunciada a retirada de 136 diretores dos seus cargos. Porém, eles devem responder por suas atribuições até que sejam escolhidos os substitutos. Não há restrições para que os antigos diretores sejam reconduzidos aos cargos.

Sarney disse que desconhecia a grande quantidade de diretores na Casa até ontem, apesar de já ter sido presidente do Senado em outras duas ocasiões durante quatro anos.

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A intenção de reestruturar o Senado foi anunciada depois de uma série de escândalos envolvendo a Casa desde o início do ano. Entre eles, está a demissão de dois diretores e a prática do nepotismo através de servidores terceirizados. Durante este período, o plenário votou somente uma medida provisória e nenhum projeto de lei.

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Segundo Sarney, este não foi o motivo de anunciar a reforma. "Os problemas me antecedem, a estrutura administrativa que tem dez anos merece uma revisão, mas será uma reestruturação completa. A FGV tem carta branca para fazer o que for necessário" disse ele.

Segundo ele, a grande quantidade de denúncias envolvendo o Senado ocorre porque há uma vigilância maior sobre a Casa, por ela ter menos integrantes. O Senado Federal possui 81 membros, enquanto a Câmara dos Deputados tem 513.

Diante das acusações, Sarney falou da importância do Congresso, lugar em que pisou pela primeira vez como deputado federal há mais de cinquenta anos. Ele recorreu ao século 19 para isso.

"Dentro do Congresso, já se discutia a liberdade pessoal quando o rei podia decidir tudo", diz ele, para quem o Senado foi figura essencial para unir o país ainda na época de Dom Pedro 2º.

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