Assistente de Protógenes diz que nenhuma autoridade foi grampeada

Da Agência Câmara

Embora protegido por habeas corpus, o escrivão de São Paulo Walter Guerra, que trabalhou como assistente do delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha, assegurou que nenhuma pessoa com foro privilegiado teria sido objeto de interceptação. Ele contou, no entanto, que algumas vezes o investigado fazia ou recebia ligações de autoridades. Segundo o escrivão, ele fazia um relatório sobre o conteúdo das gravações interceptadas pela Polícia Federal.

Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas, Guerra garantiu que as gravações foram feitas sempre com autorização judicial. Ele afirmou que não foram usadas maletas de escuta para interceptação, apenas o sistema guardião de escuta - tecnologia usada pela Polícia Federal para monitorar conversas telefônicas.

Guerra revelou que o juiz Fausto de Sanctis lhe solicitou a lista dos números interceptados durante a Operação Satiagraha para saber se os nomes dos ministro do Supremo Gilmar Mendes e do senador Demóstenes Torres faziam parte desse rol.

Arquivos pessoais
O escrivão contou ainda que na operação de busca e apreensão feita na casa dele devido ao inquérito interno da PF, foi apreendido um HD externo que continha o backup de todas as transcrições que ele fez. Segundo Guerra, o procedimento de guardar uma cópia em casa é comum e determinado pelos delegados para os casos de eventuais problemas com os originais.

A partir das declarações do escrivão, o relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), disse que vai propor um projeto de lei proibindo que informações obtidas durante processos judiciais sejam retidas em arquivos pessoais.

Já o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) diz que a lei 9296/96 já determina todo procedimento sobre como devem ser tratados essas informações, e que não seria necessária nova lei.

Perseguição política
O escrivão disse que sofre perseguição política ao ser indiciado por quebra de sigilo funcional no inquérito interno da Polícia Federal que investiga o vazamento de informações da operação. "Eu me considero uma pessoa que sofre consequências por ter trabalhado." Ele ressaltou que apenas cumpria ordens e acrescentou que o sistema Guardião não tem qualquer regulamento da Polícia Federal a respeito de quem pode acessar e como.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos