Protógenes diz que encontrou documentos "nocivos ao país" durante Satiagraha

Ivan Richard
Da Agência Brasil
Em Brasília

O delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, afirmou à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara que, durante a Operação Satiagraha, comandada por ele, foram encontrados documentos nas dependências da multinacional Kroll, obtidos por meio de espionagem, que são "nocivos à autoridades brasileiras e ao país".

Protógenes conduziu na PF a Operação Satiagraha

  • Saulo Cruz/Agência Câmara

    O delegado da Polícia Federal presta depoimento protegido por habeas corpus; em entrevista exclusiva ao UOL Notícias, Protógenes afirmou que não temia ser preso na CPI, mas voltou atrás

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Protógenes afirmou, em resposta a uma pergunta do relator, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), que a Kroll possuía documentos contra empresas com interesses contrários aos do banqueiro do Daniel Dantas e ao grupo Opportunity.

"A Justiça americana solicitou que a Kroll apresentasse todos os dados de espionagem contra a BrasilTelecom. A empresa apresentou mais de 250 caixas contendo documentos que eram nocivos ao país", disse Protógenes. "Dados de espionagens que tratavam da transposição do Rio São Francisco, privatização da Petrobras e da Vale do Rio Doce", acrescentou o delegado.

Segundo o Protógenes, os documentos eram uma tentativa de cooptação de várias autoridades, inclusive, com o pagamento de suborno a integrantes do Congresso Nacional.

Protógenes afirmou também que a Operação Satiagraha não realizou interceptações ilegais. "Todas as interceptações telefônicas na época da Satiagraha foram legais, inclusive com a vigilância diuturna do Ministério Público Federal".

Protegido por um habeas corpus preventivo concedido pelo Supremo Tribunal Federal, Protógenes se absteve de responder aos questionamentos sobre a participação de servidores da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Satiagraha, a utilização de senhas do Sistema Guardião e também em relação aos equipamentos utilizados na operação. Ele ressaltou, no entanto, que todos os equipamentos da Polícia Federal são auditáveis.

"Todos os dados coletados em qualquer equipamento da Polícia Federal são auditados. Não há tecnicamente sistema que faça qualquer tipo de adulteração em qualquer dado coletado. Os dados da Satiagraha estão disponíveis na Justiça e no Ministério Público", disse Protógenes.

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