À CPI, Daniel Dantas nega ter contratado agência para fazer grampo ilegal

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do Grupo Opportunity, repetiu nesta quinta-feira (16) à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara dos Deputados que não contratou a empresa Kroll para espionar empresas e autoridades. Dantas é acusado de ter contratado a empresa Kroll para realizar espionagem durante a venda da Brasil Telecom.

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"Não tenho contrato com a empresa Kroll. A Kroll trabalhou para a Telecom Itália, nos prestando serviços conjuntos na época do leilão da Telebrás, em 1998. Eu era um dos acionistas e eu era sócio de uma empresa que administrava um fundo que era acionista da Brasil Telecom também", disse Dantas.

"A gestão não cabia a mim. Eu nunca li o contrato da BR Telecom com a Kroll. Eu conheço o objeto do contrato. A Kroll foi contratada pela Telecom Itália", completou o banqueiro.

Dantas depõe protegido por habeas corpus do Supremo

  • Alan Marques/Folha Imagem

    Sócio-fundador do Grupo Opportunity (f) fala pela segunda vez à CPI dos Grampos



O depoimento teve início por volta das 10h30. O questionamento sobre a Kroll foi feito pelo presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), o único a se manifestar até o momento.

Dantas disse ainda que a própria Kroll atestou que nunca houve pedido para que houvesse qualquer irregularidade. No último depoimento à CPI, em agosto do ano passado, Dantas havia afirmado que não tivera acesso aos relatórios da agência Kroll, acusada pela PF de investigar integrantes do governo Lula, mas, momentos depois, disse que recebeu uma cópia pela imprensa.

Em seu depoimento na última quarta-feira (8), o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz disse que foram encontrados, nas dependências da multinacional Kroll, documentos obtidos por meio de espionagem, que são "nocivos à autoridades brasileiras e ao país".

Em nota, a Kroll negou veementemente as declarações, reafirmando "que nunca utilizou nenhum método indevido, inclusive escutas telefônicas ou acesso a escutas telefônicas ilegais, na condução de seus projetos no Brasil e nos mais de 25 países em que está estabelecida". Disse ainda que "continuará se defendendo vigorosamente contra alegações falsas".

Dantas foi preso na Operação Satiagraha, conduzida pelo delegado Protógenes Queiroz contra um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro e deflagrada no dia 8 de julho de 2008 pela Polícia Federal. Também foram presos o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e outras 14 pessoas. A operação encontrou indícios de que Dantas teve acesso e foi beneficiado por escutas ilegais da Kroll.

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