Juiz proíbe motos nas ruas e "estica" lei seca para eleição suplementar neste domingo em Alagoas

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Os eleitores de Tanque D'Arca, a 122 km de Maceió, vão voltar às urnas neste domingo (19). O município do Agreste alagoano será o quinto a realizar uma eleição complementar este ano no Estado. E a disputa acirrada deve mudar a rotina não só dos 3.967 eleitores da cidade, mas também do tráfego e do comércio dos quase seis mil tanquenses durante o fim de semana.

Tanque D'Arca

Candidatos:
Roney Tadeu Valença Silva (PPS) e José Valmir Bezerra Lima (PP)

População: 5.695

Área: 156 km²

Eleitores: 3.967

Localização: Agreste

Principal atividade econômica: Agropecuária


Preocupado com acirramento de ânimos, o juiz eleitoral do município, Wilamo Lopes, baixou uma portaria proibindo a circulação de motocicletas no perímetro urbano entre 20h e 6h da sexta-feira (17) até o dia da eleição. "Todos sabem que em Tanque D'Arca existe um crime organizado e poderíamos ter problemas. Essa medida é para evitar possíveis atos de violência, mas também a compra de votos nas madrugadas que antecedem a eleição", alega o magistrado.

A mesma portaria proibiu ainda a venda e consumo de bebidas alcoólicas desde o início da sexta-feira até o término da votação. A determinação também não permite a abertura de estabelecimentos que vendam bebidas no dia da eleição. A medida afeta varejistas e atacadistas, inclusive os restaurantes e supermercados da cidade. Quem desobedecer à portaria será detido e, no caso dos comerciantes, terá ainda a mercadoria apreendida.

Em dia de eleições normais, a venda de álcool é proibida apenas a partir da zero hora do dia da eleição. Segundo o magistrado, as medidas foram adotadas "para garantir a ordem pública, tendo em vista o clima de tensão existente no município por conta da disputa eleitoral acirrada".

Comerciantes reclamam de prejuízo
Na cidade, os comerciantes questionam a medida e já contabilizam os prejuízos com a "lei seca esticada". "Isso é um exagero. Não estamos em guerra; é só uma eleição. Para que tanta polícia na rua para proibir a gente de vender? Vou perder uns 300 reais com isso", lamentou um dono de bar na cidade, que pediu para não ser identificado e disse que soube da determinação apenas nesta quinta-feira (16) à noite.

Já o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas, Estácio Gama, foge da polêmica e defende as decisões do juiz de Tanque D'Arca. "Cabe a ele (Wilamo Lopes) tomar as providências. Quem se sentir prejudicado que entre com as medidas cabíveis. Como não acompanho de perto o clima da cidade, não tenho como avaliar. Só sei que ele está bem assessorado e tomou a decisão pelo clima tenso que se encontra lá", afirmou.

Gama acredita que a Justiça tomou todas as medidas necessárias para evitar problemas durante a véspera e dia da eleição. Neste domingo, 42 policiais militares e duas equipes da Polícia Federal vão estar nas ruas da cidade. A Polícia Rodoviária Federal vai combater o transporte clandestino de eleitores, enquanto a Polícia Civil vai ficar de plantão no fim de semana para registrar ocorrências. "Estamos com grande efetivo de todas as polícias e não tenho dúvida que teremos uma eleição tranquila", garantiu o presidente do TRE.

Disputa
Dois candidatos vão disputar a prefeitura neste domingo. O atual prefeito interino e presidente da Câmara de Vereadores, José Valmir (PP), tenta se efetivar no cargo apoiado pela chapa vencedora na eleição passada. Ele vai concorrer com Roney Tadeu (PPS). A disputa também terá caráter familiar, já que o vice de Roney, Valdemir Bezerra, é irmão do atual e prefeito e candidato majoritário da chapa adversária.

Na primeira eleição, a disputa foi a mais apertada de Alagoas, e teve uma diferença de apenas 13 votos em favor de Telma de Santana (PP). Uma nova eleição no município foi marcada porque o TRE impugnou a candidatura do vice da vencedora, Flávio Guido Uchôa Filho, que não deixou o cargo na Secretaria de Assistência Social a tempo de concorrer. Segundo o TRE, Flávio também não estava em dia com as obrigações eleitorais.

A disputa acirrada em Tanque D'Arca levou a procuradora-chefa do Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas, Niedja Kaspary, a ir pessoalmente ao município alertar para a prática de crimes eleitorais. Em poucas horas, o MPF recebeu cerca de 60 denúncias por escrito de fraudes eleitorais, como compra de votos, abuso de poder e até ameaça de morte.

Mais eleições
Além dos quatro municípios que já voltaram às urnas (Estrela de Alagoas, Porto de Pedras, Porto Real do Colégio e São José da Laje) e de Tanque D'Arca, mais três cidades alagoanas podem ter nova votação. Joaquim Gomes chegou a ter nova eleição marcada para este domingo, mas o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acatou um pedido de suspensão até que a prefeita do município, Cristina Brandão (PP), acusada de crime eleitoral, se defenda das acusações.

Na última terça-feira (14), a Polícia Federal indiciou os prefeitos de São Luis do Quitunde, Jean Cordeiro (PP), e de Rio Largo, Toninho Lins (PSB), por crimes eleitorais. Eles são acusados de transporte irregular de eleitores e compra de votos, respectivamente. O TRE vai analisar os casos nos próximos dias e decidir sobre a necessidade de uma nova votação.

Além desses casos, o município de Porto de Pedras, que realizou eleição suplementar no último dia 15 de março, pode ter nova eleição. No madrugada do dia da votação, um motorista do prefeito eleito, Júnior Boi Lambão (PTB), foi preso com mil reais em notas de pequeno valor. Para a Polícia Federal, o dinheiro deveria ser usado para compra de votos no dia da eleição.

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