Lobão diz que é mais fácil "subir no pau de sebo" do que conseguir licença para hidrelétrica

Haroldo Ceravolo Sereza
Do UOL Notícias
Em Una (BA)

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou hoje que é "mais fácil subir num pau de sebo do que conseguir permissão ambiental para construir uma hidrelétrica" no país.

Lobão foi um dos convidados para discutir sustentabilidade ambiental no 8º Fórum Empresarial de Comandatuba, na Bahia. Segundo ele, essas dificuldades obrigam a construção de usinas termelétricas de carvão e óleo diesel, muito mais poluidoras.

As críticas de Lobão foram antecedidas pelas do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O ministro afirmou que a legislação ambiental foi quase toda produzida pelo Executivo, por meio de MPs (Medidas Provisórias), decretos e outras normas, sem discussão no Parlamento.

Para Stephanes, é preciso rever essa legislação para que se possa utilizar de forma sustentável áreas já utilizadas. "É preciso coragem para alterar alguns itens, num processo de racionalidade", disse. Stephanes, no entanto, afirmou concordar com metas ambientais como a de desmatamento zero na Amazônia, na Mata Atlântica e no Pantanal.

Um dos argumentos que Stephanes usou é que hoje todo o arroz produzido no país infringe a legislação, porque é proibido plantar em várzea - áreas tradicionalmente utilizadas para plantar arroz em todo o mundo.

Stephanes ainda argumentou que das 5 milhões de propriedades rurais do país, 3 milhões ofendem em algum ponto regras ambientais. "Se aplicada, a legislação [atual] eliminará 1 milhão de pequenas propriedades brasileiras."

Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, era esperado para participar do debate, mas não compareceu ao evento.

Caçar sapo com bodoque
Em contraponto aos dois, Mário Mantovani, da ONG SOS Mata Atlântica, afirmou que o sistema de defesa ambiental do governo foi destroçado e que as obras que estão paradas são "de interesse de empreiteiras".

"Se projeto emboca no ministério, é porque não tem técnico para analisar", disse Mantovani. Ele ainda criticou "visão tacanha" que opõe ambientalismo a desenvolvimentismo. Quem fizer isso, "vai 'caçar sapo com bodoque'" - expressão equivalente a "vá plantar batatas".

Sobre as termelétricas, ele respondeu às afirmações de Lobão: "Para que sujar, no interesse de quem?"

Em resposta a uma crítica ao caráter nacional da legislação ambiental, feita pelo governador de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB), Mantovani disse que deve, sim, ser feita uma "discussão de reserva legal separada por biomas".

*O jornalista Haroldo Ceravolo Sereza viajou a convite da organização do evento

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