Senador critica "Estado policialesco"; ministro nega viés político da Castelo de Areia

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Ministro da Justiça diz que não houve vazamento na Operação Castelo de Areia

O ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou nesta terça-feira (28), em audiência pública na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, que não houve vazamento de informações sobre a Operação Castelo de Areia, que investiga supostos crimes financeiros e repasses da construtora Camargo Corrêa a partidos políticos. "Não vazou uma linha. Os fatos se tornam públicos a partir do momento em que o inquérito sai da Polícia Federal e vai para o Ministério Público".

O senador José Agripino (DEM-RN) questionou, nesta terça-feira (28), a isenção da Polícia Federal na Operação Castelo de Areia, que investiga supostos crimes financeiros e repasses da construtora Camargo Corrêa a partidos políticos. O senador foi um dos citados como beneficiário de doações supostamente irregulares. O parlamentar afirmou que as doações foram feitas legalmente.

"Estamos em um Estado policialesco? Há viés político nas operações?", questionou Agripino, dizendo que "vai querer uma reparação" pela exposição de seu nome e as suspeitas levantadas. "Quem é que vazou? Essa é a minha preocupação. Foi a Polícia Federal? Eu espero que não, porque a Polícia Federal é uma instituição do povo. Foi o Ministério Público? Foi o juiz (Fausto) De Sanctis?"

O ministro Tarso Genro (Justiça), que participa da audiência pública na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, sobre a Operação Castelo de Areia, negou que a operação tenha viés político. "Não é adequado estabelecer uma conexão entre o viés político da notícia e o viés político do inquérito. O inquérito não tem nenhum viés político. Se reporta a financiamentos de campanha em meia dúzia de linhas, porque é sobre lavagem de dinheiro."

Ele afirmou, contudo, que "houve informações distorcidas" na divulgação da operação. Disse ainda que não é possível falar em Estado policialesco, uma vez que ele participa de uma audiência pública para esclarecer a operação da Polícia Federal. "É lamentável que possamos semear a idéia de que no país tenha um Estado policial. Hoje existe o Estado de Direito".

O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, que também participa da audiência pública, disse que foi uma decisão do magistrado afastar o sigilo sobre a Operação Castelo de Areia e voltou a negar que o vazamento tenha origem na instituição que dirige. "Quando nós temos qualquer indício de vazamento provocado por nós, nós apuramos."

Luiz Fernando Corrêa afirmou que a PF "não tem autonomia para fazer publicidade" do teor das investigações. "Nos reportamos ao juiz. Ele é dono de todo o relatório".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos