Ministro do Meio Ambiente diz estar "firme" no cargo e manda recado a poluidores

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) afirmou nesta quinta-feira (4), depois de participar de um evento com o presidente Lula, que continua "firme" no cargo, para combater crimes ambientais e criar unidades de conservação. E ainda mandou um recado bem-humorado: "Tremei poluidores".

"TREMEI POLUIDORES", AFIRMA MINISTRO

  • "Não podemos dar terra a grileiros", diz Christiane Torloni



Nas últimas semanas, o ministro reclamou da interferência de outros ministérios em sua pasta, entrou em conflito com parlamentares, depois de chamar a bancada ruralista de "vigarista" e foi alvo de uma representação do CNA (Confederação Nacional da Agricultura) pedindo sua saída do ministério.

Minc admitiu que o embate não acabou, mas ressaltou o apoio que tem recebido de entidades como a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e dos setores artístico e intelectual.

Na cerimônia desta quinta, nas instalações provisórias da Presidência da República no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, o ministro esteve acompanhado dos atores globais Christiane Torloni e Victor Fasano, que lideram movimento contra o desmatamento da Amazônia. O presidente Lula assinou o manifesto a favor da floresta.

Questionada sobre uma possível saída de Minc do governo, por conta do embate com os ruralistas, a atriz saiu em defesa do ministro. "Eu acho muito complicado nós perdemos um segundo ministro do meio ambiente no mesmo governo. [Perdemos] duas pessoas tão capacitadas como a senadora Marina Silva e o ministro Carlos Minc. Não vai ser bom para o Brasil internamente e muito menos do ponto de vista internacional. Eu acho que esse embate tem que se desfazer e a gente organizar essa casa de novo. Porque a gente pode não ter unanimidade, mas tem que ter ordem para ter progresso".

Mesmo com o apoio do presidente à questão ambiental, Minc admitiu ter recebido uma advertência a respeito dos ataques que fez a outros ministérios. "O presidente Lula manifestou para mim que achava mais adequado que as contradições, quando não houver consenso, fossem discutidas dentro do ministério com a arbitragem dele, no que eu concordei".

O ministro não deixou, no entanto, de voltar a ressaltar que o país vive um momento de "ataques" à legislação ambiental. Ele classificou como "estratégico" o encontro dos artistas com o presidente, nesta quinta.

Regularização de terras na Amazônia
Após o encontro com o presidente Lula, os globais criticaram a aprovação pelo Senado, na noite desta quarta, da MP (medida provisória) 458, que permite a regularização de terras de até 1,5 mil hectares na Amazônia Legal. Como o texto votado pelos senadores foi o mesmo que recebeu aprovação dos deputados, a matéria será encaminhada à sanção presidencial.

Christiane Torloni afirmou que a sociedade civil ainda pode se manifestar contra a medida. "O que não podemos é dar terra a grileiros. Nós não podemos, nessa altura do campeonato, que nós temos toda a tecnologia nas mãos, simplesmente passar por cima de tudo e ficar dando título de terra", disse. "Ano que vem é ano de eleição. Nós temos que saber quem são os representantes da vontade do povo, da preservação da Amazônia, e quem é a favor de ganhar uma grana e botar na cueca."

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), também presente ao encontro em que o presidente assinou o manifesto pela preservação da Amazônia, também disse esperar uma manifestação da sociedade contra a medida provisória nos temos em que foi aprovada. "O movimento Amazônia para sempre, com mais de 1 milhão de assinaturas, a vigília que nós fizemos no Senado no dia 13, são demonstrações claras de que a sociedade vai se manifestar, vai exigir que o que foi aprovado, num embate tão acirrado, não tenha a sua confirmação."

O ministro disse que, assim como a sociedade civil, integrantes do Legislativo e do Executivo também devem se manifestar contra a medida aprovada pelo Congresso. "Pode ser que um grupo de parlamentares, um grupo de ministros, de senadores, peça eventualmente ao presidente o veto para alguns artigos. Ele pode acatar ou não, mas faz parte do processo democrático".

O ministro disse que vai se reunir com colegas de governo, em especial o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), membros do Congresso e representantes da sociedade civil para tentar articular um pedido de veto. "Vamos levar (a proposta) em conjunto para o presidente que arbitrará".

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