Parlamentar "amigo" da Amazônia diz que prêmio pode "fortalecer a causa"; "inimigo" questiona isenção das ONGs e pede debate

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), um dos citados como "inimigo" da Amazônia, em lista divulgada nesta sexta-feira pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS), comentou a premiação em entrevista ao UOL.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, o deputado questionou a isenção das organizações não governamentais que criaram o prêmio. "Eu não conheço e gostaria de saber quem paga o salário deles. Eu tenho a minha vida limpa", disse. Colatto afirmou ainda que a Amazônia está "entregue às ONGs que têm projetos escusos e recebem recursos do exterior".

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A gerente-executiva do FBOMS, Esther Neuhaus, diz que "não se surpreende" com as declarações. "É normal fazerem esse tipo de acusação. Algumas entidades recebem esse tipo de crítica. Mas, se a gente recebe ou não recursos de fora, isso não tem nada a ver com termos ou não o direito de criticar quem não defende a Amazônia."

Para ela, "de forma geral", as ONGs que atuam no Brasil são transparentes. No entanto, a ambientalista vê espaço para melhoras. "Podemos melhorar, sim. Se cobramos transparência, devemos também dar essa mesma transparência de nossos recursos e projetos. Mas é diferente de cobrar o poder público, que tem obrigação de ter controle social".

Na página do Fórum aparecem como financiadores a Fundação Ford, embaixadas da Suíça e do Reino Unido no Brasil, Fundação Heinrich Böll e o ministério do Meio Ambiente. De acordo com Esther, o ministério é um financiador que atua de forma pontual, ajudando a entidade em alguns eventos, por exemplo.

Debate
O deputado Colatto chama as entidades ambientalistas para um debate sobre a questão da Amazônia. Autor do projeto de lei 5367/09, protocolado na Câmara dos Deputados esta semana, que propõe uma reforma do Código Florestal, o peemedebista defende a "modernização" da legislação ambiental brasileira.

"Essa proposta vai ser discutida com a sociedade. Vamos fazer audiências públicas e aquilo que o Brasil quiser é o que o Congresso vai aprovar", diz. "Nós precisamos de uma legislação ambiental mais moderna. Temos mais de 16 mil atos normativos relacionados ao meio ambiente e temos que condensar tudo isso. Queremos levantar a discussão".

Incentivo
O senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos "amigos" da Amazônia, pelo ranking das ONGs, diz que o prêmio é um "incentivo" para continuar o trabalho pelas questões ambientais. "(O prêmio) coloca a sociedade na posição de poder cobrar dos parlamentares de sua base uma posição mais progressista em relação à proteção da Amazônia. E proteger não significa deixar intocável, significa usar racionalmente a floresta e dar condições de sobrevivência às populações que vivem nela".

O deputado Sarney Filho (PV-MA), também um "amigo" da Amazônia, segundo a FBOMS, considera que o prêmio vai "fortalecer os defensores da causa ambiental". "É um prêmio importante para a causa, em um momento em que, organizadamente, determinados setores da economia tentam cometer um retrocesso em relação à legislação ambiental. Acredito que a reação da sociedade vai surtir resultado."

O parlamentar considera os ruralistas "muito mais organizados" e diz que eles têm força por defenderem algo concreto. "Nós defendemos interesses difusos: uma parte gosta mais da agenda urbana, outra, mais da rural. E no embate entre interesses difusos e concretos, este último tende a sobressair".

As entidades que organizaram a lista prometem realizar uma cerimônia de premiação e convidar tanto os "amigos" como os "inimigos" da floresta. "A lista é suprapartidária e não tem ordem hierárquica. Ela tenta avaliar o conjunto da obra da atuação parlamentar e dar subsídios para que o cidadão saiba quem está atuando em defesa e contra a Amazônia", afirma Raul do Valle, coordenador do programa de política pública do ISA (Instituto Socioambiental).

Além do FBOMS e do ISA, a comissão organizadora do prêmio contou ainda com integrantes do Greenpeace, Imazon, MST e Amigos da Terra - Amazônia Brasileira.

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