Sarney diz que crise é do Senado e que não sabe o que é ato secreto

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Pressionado após uma série de escândalos no Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), afirmou em pronunciamento nesta terça-feira (16) no plenário que trabalha para corrigir erros e que nunca esteve envolvido em "qualquer ato menor". Sarney disse ainda que não sabe o que é ato secreto, em relação às notícias publicadas na imprensa de que o expediente foi usado por ele para contratar parentes e amigos.

"A crise é do Senado, não é minha"; veja trechos do discurso de José Sarney



"A crise é do Senado, não é minha", disse Sarney. "Eu, ao longo da vida, não tenho feito outra coisa se não louvar a instituição administrativa. Não seria agora, na minha idade, que eu iria praticar qualquer ato menor que eu nunca pratiquei na minha vida. Eu, aqui, vi muitos escândalos, mas em nenhum momento meu nome foi envolvido", afirmou.

A 1ª Secretaria confirmou a existência de mais de 300 atos administrativos secretos editados na gestão do ex-diretor-geral, Agaciel Maia. Um deles refere-se ao neto de Sarney, João Fernando Michels Gonçalves Sarney, 22, contratado pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). O levantamento de todos os atos está pronto, mas não foi divulgado uma vez que Heráclito Fortes (DEM-PI) está em São Paulo recuperando-se de uma cirurgia de redução de estômago. Ele recebeu alta hoje.

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"Eu não sei o que é ato secreto. O objetivo da comissão foi apurar a entrada ou não em rede, mas isso tudo em relação ao passado, nada a ver com o nosso período. E eu não vou dizer em qual presidência foi, porque até mesmo alguns colegas nossos estão mortos", disse Sarney.

O presidente do Senado disse ainda que essas informações só foram divulgadas "porque nós resolvemos apurá-las". "Nós que resolvemos colocar isso. Se não tivermos feito essa determinação, isso não existiria. A comissão está com seu trabalho encerrado e, infelizmente o senador [Heráclito Fortes] não está aqui, por isso não vou anunciar as suas conclusões, mas esse relatório esclarece esse problema que surgiu", afirmou.

"Hoje, todos os atos estão na rede. Não existe ato nenhum que não esteja na rede. E, ao contrário do que se possa dizer, ninguém pode tomar posse sem sua nomeação publicada. Se alguém fez, vamos punir, vamos descobrir. E é por isso que existe a comissão, mas querer colocar a responsabilidade nas costas de quem apura, principalmente eu, é realmente injusta, para não dizer que vou mais longe", completou.

Sarney disse ainda se sentir injustiçado, ao comentar a contratação de duas sobrinhas nomeadas por ato secreto, Maria do Carmo de Castro Macieira e Vera Portela Macieira Borges. "Por isso querem me julgar perante a opinião pública desse país? É ter falta de respeito pelos homens públicos que nós temos." Já sobre o neto, Sarney afirmou desconhecer a contratação. "Ele próprio [Cafeteira] disse que não me falou, porque se dissesse talvez eu não tivesse concordado."

Sarney também recorreu ao visconde de Rio Branco e a Joaquim Nabuco para afirmar que "defender-se não é fraqueza". "O que nós praticamos foi só exclusivamente buscar corrigir erros, tomar providências necessárias. O que eu fiz foi me dedicar a essa tarefa", disse. "Ninguém tem mais interesse do que eu, até porque aceitei ser presidente da Casa."

Atos secretos: força de Sarney em xeque



Essa não foi a única denúncia que recaiu na gestão da terceira presidência de Sarney. O parlamentar teve ainda que lidar com informações de corrupção nos contratos feitos na gestão de Agaciel Maia e do então diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi.

A reação foi determinar a instalação de uma comissão de sindicância para investigar as ações de Zoghbi e a abertura de inquérito para que a Polícia do Senado apurasse a denúncia de que ele intermediava em benefício próprio contratos para concessão de empréstimos consignados a servidores.

Quanto a Agaciel Maia, o presidente do Senado pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que auditasse os contratos de sua gestão. Neste meio tempo, tanto Agaciel Maia quanto Zoghbi foram afastados dos cargos.

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