Lula critica denúncias, defende Sarney e insinua que há tentativa de "enfraquecer o Legislativo"

Do UOL Notícias (*)

Um dia depois do discurso de José Sarney sobre a crise de ética que atinge o Senado (presidido por ele), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem pela Ásia, criticou a sequência de denúncias de irregularidades. "Elas não têm fim, e depois não acontece nada", disse Lula. Sarney, presidente do Senado, usou a tribuna da Casa ontem (16) para se defender das acusações de usar atos secretos para nomear parentes seus.

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"Não li a reportagem do presidente Sarney, mas penso que ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum."

Sarney decidiu fazer o discurso por estar sendo pressionado pelas denúncias. No discurso de 33 minutos, ele não anunciou nenhuma medida nova ontem. Sintetizou: "A crise do Senado não é minha; a crise é do Senado. É esta instituição que devemos preservar, tanto quanto qualquer um aqui", disse. Ele afirmou que é "injustiçado" e que "falta respeito" à sua história. Hoje, num discurso na solenidade que lançou a campanha institucional O Congresso Faz Parte da sua História, Sarney disse que é dever dos próprios deputados e senadores combater os "maus parlamentares".

"Nossa função é responder a isso e procurar de toda maneira que nós, nesses novos tempos, tenhamos condições de corrigir todos os erros e fazer com que o povo não olhe o Parlamento pelos seus defeitos. Nossos valores não podem ser julgados pela imperfeição do exercício, dos valores morais e dos valores do Parlamento que são feitos muitas vezes por maus parlamentares a quem devemos combater."

O presidente Lula insinuou que a publicação de irregularidades no Senado estaria relacionada a uma tentativa de "desestabilizar" ou "enfraquecer" o Legislativo. Ele afirmou que é "importante investigar o que houve, inclusive para saber a quem poderia interessar desestabilizar o Senado". "Essa história tem que ser mais bem explicada. Não

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Lula disse que "as denúncias não têm fim, e depois não acontece nada". O presidente também insinuou que por trás das denúncias de irregularidades está uma tentativa de enfraquecer o Legislativo. Você concorda com o presidente?

sei a quem interessa enfraquecer o Poder Legislativo no Brasil. Mas penso o seguinte: quando tivemos o Congresso Nacional desmoralizado e fechado foi muito pior para o Brasil, portanto é importante pensar na preservação das instituições e separar o joio do trigo. Se tiver coisa errada, que se faça uma investigação correta."

Lula disse também que o governo não teme ser prejudicado pelas denúncias sobre o Senado. "Todos os senadores, a começar o presidente Sarney, têm responsabilidade de dirigir o destino do país, ou seja do Congresso Nacional, vamos esperar que essas coisas se resolvam logo", acrescentou.

Para o presidente, as denúncias podem acabar "cansando" a população. "O que não se pode é todo dia você arrumar uma vírgula a mais, você vai desmoralizando todo mundo, cansando todo mundo, inclusive a imprensa corre o risco. Porque a imprensa também tem que ter a certeza de que ela não pode ser desacreditada porque, na hora em que a pessoa começar a pensar 'olha, eu não acredito no Senado, não acredito na Câmara, não acredito no Poder Executivo, no STF, também não acredito na imprensa', o que vai surgir depois?", questionou.

Escândalos
O jornalista Fernando Rodrigues, colunista do UOL Notícias, mostra, no Monitor de Escândalos, os mais de 60 casos de desvio de conduta dentro da Câmara e do Senado desde o início do ano até hoje.
Um dos mais recentes envolve centenas de atos secretos publicados nos últimos 14 anos no Senado. Vários desses atos foram usados para nomear, exonerar e aumentar salários de parentes e amigos de senadores, em geral os que estão no comando do Senado.

Duas sobrinhas de Sarney foram nomeadas por ato secreto: Maria do Carmo de Castro Macieira e Vera Portela Macieira Borges. Maria do Carmo foi nomeada para um cargo no então gabinete de Roseana Sarney (PMDB-MA). Vera foi lotada no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MS), em Campo Grande. Ele também teve um neto nomeado e exonerado do gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), por ato secreto. Leia mais na Folha Online.

No discurso de ontem, Sarney, que presidiu o Senado em outras duas gestões antes da atual, disse que não tem responsabilidade sobre os últimos escândalos. "Estou aqui há quatro meses. O que praticamos? Só exclusivamente buscar corrigir erros, tomar providências necessárias ao resgate do conceito da Casa."

Veja a lista com 61 escândalos do Congresso que vieram à tona neste ano

(*) Com informações de Mônica Gugliano, enviada especial da EBC a Astana, no Cazaquistão, e com informações da Folha Online

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