Falta de mobilização da sociedade atrasa recuperação pós-chuvas, diz governadora do Pará

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

As chuvas que afetam as regiões Norte e Nordeste há quase 50 dias e que agora começam a diminuir não comoveram o resto do Brasil ao ponto de se converterem em ajuda da sociedade civil a essas regiões, disse a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT).

Em entrevista ao UOL Notícias, ela afirmou que a maior enchente que seu Estado já sofreu na história merecia mais atenção do país como um todo, e não apenas do poder público.

"Santa Catarina teve sozinha aqueles desastres todos. Agora foram vários, tivemos uma distribuição desses desastres, e deveria haver uma resposta melhor do resto da sociedade brasileira", afirmou ela por telefone, após visita à cidade de São Domingos do Araguaia, no interior do Estado.

Perguntada sobre se há preconceito nas regiões Sul e Sudeste por conta dessa mobilização que considera insuficiente, ela respondeu: "Sem dúvida". "Não quero comparar tragédias. Mas a destruição aqui realmente foi muito grande", disse.

"Quando Santa Catarina sofreu, nós contribuímos, fizemos donativos. Não sei se recebemos desta vez. Não posso dizer que Santa Catarina não doou, mas eu não tenho conhecimento", afirmou.

Segundo a governadora, não tem faltado assistência do governo federal, por meio do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Eletronorte, estatal de energia.

As chuvas nas regiões Norte e Nordeste desde o início do mês de abril desabrigaram e desalojaram muito mais pessoas do que no desastre de Santa Catarina, ocorrido em novembro e dezembro passado. Em Santa Catarina, esse número chegou a cerca de 80 mil pessoas, enquanto no Pará, acordo com a Defesa Civil, pelo menos 63.635 famílias, ou cerca de 200.000 prejudicados em 60 municípios até a sexta-feira passada.

Desabrigadas são as pessoas que tiveram de sair de casa sem ter para onde ir e foram encaminhadas para abrigos públicos, como escolas, ginásios, galpões, entre outros. Já as desalojadas são pessoas que recebem abrigo em casas de amigos e parentes.

Risco de doenças

De acordo com Ana Júlia, as cidades afetadas pelas chuvas, muitas delas isoladas por conta da destruição de estradas, correm mais um perigo: o contágio de doenças pela água.

"Nesta fase em que as chuvas diminuem a água parece potável, mas não é. Estamos bastante preocupados com isso porque existem cidades onde a água só está baixando agora e às quais não temos acesso para levar informação e o que mais for necessário", disse a governadora.

Segundo ela, os municípios menores e mais empobrecidos são os que mais sofrem. "Santarém é a cidade que tem maior número de afetados, mas o município é muito grande. A dificuldade está mesmo nas comunidades às quais só conseguimos chegar com uma viagem de dois, três dias de barco", afirmou.

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