Aliança entre PT e PMDB no Rio Grande do Sul é "impossível", diz Tarso Genro

Do UOL Notícias
Em Brasília

O ministro Tarso Genro (Justiça) disse que deve ser o candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul em 2010. Para o ministro, é "impossível" uma aliança entre o PT e o PMDB no Estado -contrariando uma expectativa da direção petista, que ainda sonha em fazer alguma composição com os peemedebistas gaúchos.

Em entrevista no estúdio do UOL Notícias em Brasília ao colunista Fernando Rodrigues, o ministro comentou as eleições no Rio Grande do Sul, no Brasil e dentro do seu próprio partido. Entre outros temas, ele também comentou sobre o refúgio concedido ao italiano Cesare Battisti, a incapacidade do Congresso Nacional aprovar uma reforma política e a busca de corpos no Araguaia.



"Tudo indica que eu serei indicado", disse o ministro sobre as eleições no seu Estado. "Eu tenho fortes possibilidades, mas vamos oferecer o nome no dia 19 de julho aos aliados para compor um governo de maioria."

Ele disse contar com 65% dos votos dos seus colegas de partido que escolherão o candidato em convenção.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), criticou a atitude de Tarso como pré-candidato. Berzoini tentava fazer uma aliança entre PMDB e PT no Estado para reforçar a candidatura de Dilma à presidência. Segundo Tarso, essa aliança no Estado é impossível e seriam necessários "dois palanques" para Dilma Rousseff no Rio Grande do Sul.

Ele espera uma nova disputa contra o pemedebista Germano Rigotto que o derrotou na eleição de 2002.

Candidato único para disputar a presidência do PT é improvável
Sem um candidato de consenso, a escolha da nova direção do PT deve terminar numa eleição sem acordo no final deste ano.

Tarso Genro faz parte do grupo Mensagem ao Partido, ala não majoritária da legenda. Ele apóia a candidatura do deputado federal José Eduardo Cardozo (SP).

Cardozo deve enfrentar o ex-presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra. Sua candidatura tem o apoio do presidente Lula.

Na avaliação de Genro, a retirada da candidatura de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, impediu que acontecesse uma aliança entre a ala majoritária do partido e o seu grupo. Carvalho saiu da disputa à pedido do presidente para se concentrar em suas atividades no Planalto.

Prioridade no Araguaia é a busca dos corpos
Genro considera a tortura um crime imprescritível e julga ser necessário responsabilizar quem praticou esses atos. Mas no caso da guerrilha do Araguaia, ele diz que a prioridade não é a punição, mas a busca dos corpos.

"Hoje é secundário buscar responsabilidades e culpados pois temos que encerrar o luto das famílias com a devolução dos corpos", diz o ministro.

O major Curió revelou, em notícia publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" no último domingo (21), que 41 guerrilheiros foram executados pelas Forças Armadas depois de presos, durante a guerrilha do Araguaia. Ela aconteceu no início dos anos 70 onde atualmente é o Estado de Tocantins.

Apesar de não achar prioritária a punição no caso da guerrilha, ele disse que não se pode permitir que torturadores se abriguem no "prestígio das Forças Armadas".

"Até hoje no Brasil nós temos torturadores. Quanto mais democrático o regime, mais fácil fica de controlar isso. Não é questão de revanchismo, de levar para a cadeia, pois eles não vão. Mas isso tem que se incorporar na jurisprudência do país como algo insanável", disse o ministro.

STF está equivocado em manter Battisti preso
O ministro não concorda com a prisão do italiano Cesare Battisti enquanto ele aguarda julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

"É um equívoco do Supremo, mas seja qual for a decisão final do tribunal, será acatada por nós", disse ele.

Em janeiro, Tarso Genro concedeu refúgio ao italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália em processos nos quais foi acusado de envolvimento com assassinatos. Ele está preso até hoje porque o Supremo Tribunal Federal (STF), que vai analisar um pedido de extradição feito pela Itália, não quer soltá-lo.

"Ele deveria estar [em liberdade], assim como estão em liberdade os bolivianos que recentemente dei refúgio", disse ele, citando o refúgio concedido à milicianos de direita do país vizinho. Para ele, a concessão do refúgio não significa que o governo boliviano não é democrático.

Ele também negou que tenha impedido boxeadores cubanos de ficarem no Brasil. Genro diz ser falsa a versão segundo a qual eles não queriam voltar para Cuba depois do Jogos Panamericanos do Rio em 2007.

"Foi uma falsificação informativa, preconceito de jornalistas por eu ser um homem notadamente de esquerda", disse ele. "No mesmo momento, nós demos abrigo a vários cubanos que quiseram ficar. Eles manifestaram que foram embora e quiseram ir embora."

Lula pode escolher como PGR o nome que não é o mais votado na lista tríplice do MP
O presidente Lula tem de escolher até o final do mês o novo procurador-geral da República. Das últimas vezes, o mais votado da lista tríplice de procuradores enviado pelo Ministério Público foi o escolhido do presidente. Desta vez, de acordo com Genro, a regra pode não ser seguida.

"A impressão é que o critério de decisão do presidente está mais vinculado a respeitar a qualidade dos três, ao invés de tomar uma decisão respeitada em cima de quem recebeu a maioria [dos votos no Ministério Público]. Não sei se ele vai alterar os critérios", disse o ministro.

Segundo ele, a decisão final do presidente deve ser divulgada até o fim desta semana.

Iniciativa de Lula em fazer reforma política pode ter sido tardia
Em fevereiro deste ano, o ministro Tarso Genro entregou uma proposta de reforma política ao Congresso Nacional que acabou sendo engavetada. Segundo ele, a iniciativa pode ter sido tomada tarde demais pelo presidente Lula.

"Ele sempre dizia que não era hora de mandar por não formar maioria. Quando mandamos a reforma política, provavelmente já estivesse tarde demais. Os motivos pelos quais não se formava maioria eram os mesmos de antes", disse Genro.

Ele fala que a reforma é necessária para o Congresso atravessar a atual crise. "O parlamento tem ilegalidades, erros, hábitos antigos. Mas será que se o Congresso Nacional estivesse votando uma reforma política ou tributária as questões iriam adquirir as dimensões que têm agora? Não", disse Genro.

Segundo ele, a legislação atual favorece o coronelismo e o caciquismo. Para o ministro, o próximo presidente deve encarar a reforma ainda no seu primeiro ano de governo se quiser mudanças no atual quadro político.

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