Heráclito nega irregularidades em contas telefônicas dos senadores e diz que saída de Agaciel foi "avanço"

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O senador Heráclito Fortes (DEM-GO), primeiro-secretário do Senado, afirmou nesta sexta-feira (26) que "não há irregularidades" nas contas telefônicas dos parlamentares. Segundo reportagem do jornal 'Correio Braziliense', 21 senadores receberam um total de R$ 209 mil como reembolso de despesas com o telefone residencial, nos últimos 30 meses.

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"Não há irregularidade nessas contas telefônicas, não. Elas foram aprovadas pela Mesa e são aprovadas inclusive pelo Tribunal de Contas (da União). Eles têm uma cota; o que passar da cota, pagam. O que estiver dentro da cota, já há recurso previsto para isso", disse.

Questionado sobre uma eventual reavaliação das cotas telefônicas, o primeiro-secretário descartou a possibilidade. "Não há porque ser reavaliada. O senador precisa de um instrumento de trabalho. Mesmo quando está em casa, porque quando está em casa, o senador também trabalha."

Heráclito disse que o procedimento é comum em vários cargos públicos - "senador, ministro de Estado, Presidente da República, funcionário de alto escalão" - e também na iniciativa privada.

"A grande diferença é que um funcionário da Petrobras que ganha R$ 70 mil tem esse direito e vocês não divulgam. A gente ganha R$ 12 mil e também tem esse direito".

"Avanço"
Heráclito Fortes (DEM-GO), afirmou também que o pedido de afastamento do ex-diretor-geral da Casa Agaciel Maia, por um período de 90 dias, é um "avanço" e dará "tranquilidade" para que as investigações de denúncias envolvendo o funcionário sejam levadas adiante.

"O fato de ele ter se licenciado já é um avanço, porque alguns servidores se sentiam constrangido ou até ameaçados - eu não tenho conhecimento de nenhuma ameaça, mas nós temos que deixar os corredores da Casa tranquilos para que essas investigações sejam feitas", disse o senador.

Questionado se a saída de Agaciel representa um alívio, o senador avaliou que para o funcionário, representa, sim. "Alívio para mim, não, para a Mesa, também não. O alívio maior é para ele, que tem que conviver com a Casa que no dia-a-dia está investigando seus atos."

O senador do DEM voltou a dizer que só agora o colegiado soube da existência de atos secretos e tomou as providências necessárias para publicá-los. "Só podemos publicar um fato quando nós temos conhecimento dele. Eu tomei conhecimento de que havia atos secretos, comuniquei a Mesa, que me deu cobertura, e nós abrimos os atos. Não estamos convivendo com atos secretos".

Ele ressaltou que os erros cometidos fazem parte do passado. "Os erros cometidos são do colegiado, só que, no momento, não existem erros cometidos pelo atual colegiado da Casa. São erros do passado. É preciso que avaliemos essa questão de uma maneira bem fria e não politizada."

Cobrado sobre uma posição a respeito da permanência no cargo do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o primeiro secretário se recusou a fazer comentários. "Eu participo do colegiado que é presidido pelo senador Sarney. Por uma questão ética, não posso falar sobre isso."

O afastamento de Sarney já foi solicitado por parlamentares como Pedro Simon (PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF).

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