PT também decide pedir afastamento temporário de Sarney

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Atualizada às 16h32

Em reunião nesta quarta-feira (1º), o PT também decidiu pedir que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se afaste temporariamente do cargo, por um período de 30 dias, enquanto irregularidades administrativas na Casa são investigadas. No entanto, a sugestão não foi aceita pelo peemedebista, que deverá conversar com o presidente Lula antes de tomar uma decisão.

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De acordo com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), a sugestão foi feita em reunião pela manhã com líderes do governo e familiares na residência de Sarney em Brasília para discutir a crise. No início da tarde, a bancada petista se reuniu, e o líder da legenda no Senado anunciou a decisão de pedir um afastamento temporário. Quatro partidos já haviam se manifestado pela saída temporária do peemedebista do cargo -PSOL, PSDB, PDT e o aliado DEM.

"Apresentamos ao presidente Sarney duas sugestões. A primeira, era a constituição de uma comissão que fosse capaz de pensar o futuro do Senado, aprofundar a apuração de todas as irregularidades e a identificação de todos os responsáveis. A outra sugestão que fizemos era que ele se afastasse temporariamente enquanto nós tivéssemos o trabalho dessa comissão e uma conclusão da proposta [de reforma]", disse Mercadante. Contudo, Sarney "não mostrou disposição em relação a esta sugestão [de afastamento]", completou o líder petista.

Segundo Mercadante, Sarney afirmou que "definiria seu futuro político a partir de conversa que teria com o presidente Lula", que está em viagem ao exterior e deve retornar a Brasília no final da noite desta quarta. O presidente do Senado também estaria "aberto à criação da comissão", formada por parlamentares e funcionários do Senado para buscar soluções para a crise.

A bancada do PT também deve pedir uma audiência com o presidente para discutir a crise. "Avaliamos que a possibilidade de afastamento temporário ajudaria o Senado a superar essa etapa que estamos atravessando. Mas não houve acolhimento dessa sugestão [por Sarney]. Portanto, nós vamos sentar com o presidente Lula para que o governo também participe desse esforço de dialogar", completou Mercadante.

Sarney esteve durante a tarde no plenário do Senado, em sessão de pesar pela morte do deputado federal José Aristodemo Pinotti (DEM-SP), encerrada pouco antes das 16h. Deixou o Congresso causando tumulto, mas sem dar declarações à imprensa sobre sua permanência. Disse apenas que "não iria falar" e reclamou que a aglomeração de jornalistas e câmeras o impediam de sair.

Mercadante afirmou também que a bancada não considera Sarney o único responsável pela crise. "A responsabilidade é muito maior. As coisas não podem ser simplificadas desta forma. Queremos uma apuração rigorosa, cuidadosa, sem pré-julgamento, sem simplificar a crise no Senado e sem achar um bode expiatório porque isso não vai resolver a crise."
  • A governadora do Maranhão e filha do presidente do Senado, Roseana Sarney, saiu em defesa do pai e disse que ele é bode expiatório da crise na Casa



Já sobre a relação com o PMDB, Mercadante afirmou que esta é uma das preocupações da bancada, que, mesmo após a sugestão de afastamento, adota um tom de "cautela". "A nossa relação com o PMDB tem imensas implicações ao governo e essa é uma das preocupações da nossa bancada, essa é uma das razões desse diálogo que queremos ter com o presidente Lula. Nós sabemos o quanto essa aliança é importante e o quanto a liderança do presidente Sarney junto à bancada do PMDB é decisiva. Por isso toda a cautela com que temos nos pronunciado em relação a essa matéria", afirmou.

"Bode expiatório"
Após a reunião na casa de Sarney, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), falou rapidamente com a imprensa sobre a crise no Senado e disse que o pai está sendo feito de bode expiatório.

"A responsabilidade tem que ser de todos os senadores, inclusive minha, que já fui senadora e me incluo também. Tem um ditado que diz que dance quem dance, quem dá pulo é José. Ele está sendo responsabilizado por tudo", afirmou Roseana.

Ontem, diante do aumento da pressão por sua saída, Sarney manteve-se firme. Afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a hipótese de afastamento "não está nem sequer em análise". E negou que esteja sendo pressionado a se licenciar da presidência, "nem mesmo pela família".

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