Protestos de grevistas e interesses políticos marcaram o feriado de 2 de Julho em Salvador

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

O desfile cívico de 2 de julho em Salvador, data em que a Bahia celebra a expulsão definitiva das tropas portuguesas que resistiram à independência do Brasil, na manhã desta quinta-feira foi marcado pelo protesto de servidores insatisfeitos com o governo e a prefeitura da capital. Também marcaram presença virtuais candidatos ao governo do Estado, que aproveitaram a oportunidade para testar a popularidade para 2010.
  • Lúcio Távora/Agência A Tarde/AE

    Manifestantes protestam contra a política cultural do governo estadual durante o cortejo de 2 de Julho


Faixas, cartazes, palavras de ordem, papéis e até ovos foram usados nos protestos dos servidores. O governador Jaques Wagner (PT), por exemplo, enfrentou manifestações contra a política cultural de sua gestão. Usando máscaras cirúrgicas, um grupo ligado à área gritava palavras de ordem contra a decisão do governo de cortar verbas de museus e institutos. Perto do centro histórico, manifestantes pediram, com vaias, a demissão do secretário de Cultura, Márcio Meirelles, e mais verbas para a educação. Wagner considerou os protestos normais e alegou que, durante o percurso, também foi aplaudido.

Já o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) teve que enfrentar servidores municipais em greve desde o dia 7 de junho, que cobraram reajuste salarial e melhoria das condições de trabalho. Houve confusão e empurra-empurra no início do evento, quando parte dos servidores que permanecem em atividade decidiram retirar as faixas de protesto dos grevistas.

O presidente do Sindicato dos Funcionários da Prefeitura de Salvador, Gustavo Mercês, disse ter sido cercado por seguranças da prefeitura, que tentavam impedir a continuidade dos protestos. O clima se intensificou quando o prefeito e seu padrinho político, o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), passaram pela multidão para hastear as bandeiras. Os manifestantes jogaram papéis, ovos e até um guarda-chuva contra Carneiro. A Polícia Militar foi chamada e o tumulto foi controlado.

Já temendo os protestos, Carneiro confirmou sua participação no evento em cima da hora. Durante toda a semana circularam informações de que ele não participaria das comemorações e, em nota, a assessoria do prefeito informou que ele cumpriria "intensa agenda" em Brasília e São Paulo nesta quinta-feira.

DEM e PSDB de olho em 2010
Pela primeira vez em mais de 20 anos, integrantes do DEM e PSDB caminharam juntos, sinalizando a união para as eleições do ano que vem. Aliados históricos em quase todo o país, na Bahia os tucanos eram resistentes a Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007, que comandava o antigo PFL - hoje DEM - no Estado.

"O acordo é muito importante para o fortalecimento das oposições no Estado", disse o ex-governador Paulo Souto (DEM), ao lado dos deputados federais Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), José Carlos Aleluia (DEM) e do presidente do PSDB na Bahia, o ex-prefeito Antonio Imbassahy.

Protógenes
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que é baiano, participou pela primeira vez do cortejo. Ele admitiu que poderá candidatar-se nas eleições de 2010, movido por um "clamor popular".

Integrantes do PSOL também levaram para o desfile o movimento "Fora Sarney", que pede a destituição do presidente do Senado.

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