Em nova nota, Sarney atribui não declaração de mansão a "esquecimento"

Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília

A assessoria do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), enviou uma segunda nota à imprensa nesta sexta-feira (3) desmentindo a justificativa apresentada em nota anterior da mesma assessoria sobre a omissão de uma mansão de R$ 4 milhões à Justiça Eleitoral. Segundo o texto, houve "um equívoco" na informação sobre as declarações de bens de Sarney.

Veja o que diz a segunda nota:

Esta nota corrige equívoco anteriormente divulgado. O erro cometido na declaração de bens do senador José Sarney à Justiça Eleitoral em 2006 não foi, como afirmado, a repetição da lista de bens de 1998, mas a omissão da casa, por esquecimento depois de feita a atualização patrimonial. O fato é que a propriedade está informada à Receita Federal e ao TCU desde 1999, conforme certidão anexa à primeira nota.

Declarações de bens de Sarney ao TSE contradizem alegação sobre mansão

Após a contratação de parentes e apadrinhados, agora Sarney pode ter de explicar a mansão avaliada em R$ 4 milhões onde mora em Brasília; imóvel não teria sido declarado à Justiça Eleitoral



Na nova justificativa do presidente, ele diz que o erro cometido, na verdade, foi "a omissão da casa [da declaração], por esquecimento depois de feita a atualização patrimonial".

Pela nova versão da assessoria, o contador teria esquecido de declarar uma casa com o valor equivalente ao total de todos os outros bens do senador.

A primeira justificativa de Sarney entrava em contradição com os dados da Justiça Eleitoral. A reportagem do UOL Notícias acessou as prestações de conta divulgadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e comparou as declarações de bens de Sarney com as informações alegadas pelo peemedebistas hoje. Os dados disponíveis na Justiça Eleitoral e podem ser checados no site Políticos do Brasil. Em sua primeira nota, a assessoria de imprensa da presidência do Senado afirmava que "por equívoco do contador, em 2006, foi apresentada à Justiça Eleitoral a mesma lista de bens de 1998".

As duas declarações são completamente distintas. Embora não conste em nenhuma delas a casa avaliada em R$ 4 milhões, residência do senador no Lago Sul, área nobre de Brasília, como diz Sarney, outros bens não correspondem.

O comparativo entre as declarações mostra que o patrimônio de Sarney quase dobrou nesse período e bens foram adquiridos e vendidos. O senador aumentou seu patrimônio de R$ 2.296.020,20 na declaração de 1998 (referente ao ano base de 1997) para R$ 4.263.263,45 na declaração de 2006 (referente a 2005).

No período, Sarney deixou de possuir um bote motorizado de madeira com construção artesanal, avaliado em R$ 12.246. Entre outros bens, também há cinco imóveis na declaração de 2006 que não constavam em 1998.

Crise no Senado
Na tarde desta sexta, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), defendeu Sarney e cobrou explicações do DEM, partido que o apoio nas eleições à presidência da Casa e que agora pede seu afastamento temporário.

Sarney e Lula reuniram-se hoje em Brasília para discutir a questão. Às 13h40, Sarney deixou a reunião, mas não falou com a imprensa.

Aliança para 2010
Na tarde de ontem (2), o líder do PT do Senado, Aloizio Mercadante, afirmou no plenário que o partido seguiria as recomendações do presidente Lula sobre a permanência do presidente do Senado no cargo, em discurso que priorizou a manutenção da aliança com o PMDB, fundamental na sucessão presidencial em 2010 na provável candidatura de Dilma. Mas ressalvou que a posição da bancada permanecia a mesma: "Não estamos pedindo a renúncia de Sarney, apenas um afastamento temporário", disse.

Quatro partidos se manifestaram favoráveis ao afastamento temporário de Sarney enquanto durarem as investigações de irregularidades na Casa, principalmente atos secretos de nomeação de parentes e apadrinhados do próprio presidente do Senado -PSDB, PDT, PSOL e o aliado do peemedebista em sua eleição, DEM.





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