Nomeação de suposto namorado da neta de Sarney será alvo de nova denúncia ao Conselho de Ética

Claudia Andrade
De Brasília

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou nesta quinta-feira (16) que apresentará nova denúncia ao Conselho de Ética contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Desta vez, o alvo será a nomeação de um suposto namorado de Maria Beatriz Brandão Cavalcanti Sarney para um cargo no Senado. Maria Beatriz é filha de Fernando Sarney e neta do presidente do Senado.

Segundo reportagem publicada pelo jornal 'O Estado de S.Paulo', gravações realizadas pela PF (Polícia Federal) durante a Operação Boi Barrica incluiriam um telefonema de Maria Beatriz para o pai. Ela estaria interessada em nomear uma pessoa que, segundo a PF, seria o namorado dela. A nomeação seria feita na vaga do irmão de Beatriz por parte de mãe, que fazia parte da folha de pagamento do Senado desde 2003 e tinha pedido demissão.

O próprio José Sarney apareceria nas conversas e teria recebido orientação para enviar o currículo de Henrique Dias Bernardes para o então diretor-geral do Senado, Agaciel Maia. A nomeação de Bernardes, em abril de 2008, foi realizada por meio de um ato secreto.

"Isso será objeto de uma denúncia que vou apresentar ao Conselho de Ética. Farei tantas denúncias quantas mereçam ser feitas", disse o líder tucano, acrescentando que formalizará a denúncia nos próximos dias.

Questionado se o início do recesso parlamentar de duas semanas não poderia esfriar a crise no Senado, Arthur Virgílio afirmou que "os parlamentares podem tentar ter recesso, mas a crise não e os fatos também não".

O líder tucano voltou a defender a renúncia de José Sarney. "É o caso, sim. Espero que o recesso sirva para que ele perceba que o grande serviço que pode prestar neste mandato é a renúncia à presidência da Casa. Espero que ele medite sobre isso, se é que ainda vale algum apelo".

Esta é a quarta denúncia apresentada pelo senador Virgílio ao Conselho de Ética do Senado. A primeira citava medidas tomadas pelo presidente da Casa por meio de atos secretos, incluindo nomeações. Mencionava ainda a denúncia envolvendo o neto de Sarney, José Adriano Cordeiro Sarney, em um esquema de intermediação de empréstimos consignados a funcionários do Legislativo.

Depois foi a vez de o tucano denunciar o suposto desvio de verba oriunda de patrocínio da Petrobras pela Fundação José Sarney, que fica no Maranhão. Em seguida, outra denúncia reclamava que o peemedebista teria mentido ao afirmar - em plenário e também por meio de nota - que não participa da administração da instituição que leva o seu nome. O estatuto da fundação contradiz a afirmação, apontando Sarney como presidente vitalício.

Além das denúncias, o presidente do Conselho de Ética também deverá analisar duas representações apresentadas pelo PSOL: uma contra o presidente Sarney e outra contra o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). As duas têm como base os escândalos dos atos secretos usados para, entre outras medidas, criar cargos e aumentar salários.

Caberá ao presidente do Conselho de Ética decidir se acata ou não as denúncias e as representações. Após ser eleito para o cargo, nesta quarta, o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) disse que avaliará os requerimentos antes de emitir opinião. Questionado se teria sido eleito com a missão de blindar o presidente José Sarney, o suplente Duque afirmou não ser "soldado de ninguém". Ele marcou reunião do conselho para o dia 5 de agosto, depois do recesso parlamentar.

A operação Boi Barrica foi criada em 2006 para investigar suspeitas de caixa dois na campanha de Roseana Sarney ao governo do Estado. O empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, foi um dos principais alvos da operação. Ele foi indiciado pela Polícia Federal sob a acusação, entre outros crimes, de falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

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